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Raridades nos recifes

Raridades nos recifes

Nas praias de Maceió: a esponja azul Plakina coerulea, de cor  incomum

Eduardo HajduNas praias de Maceió: a esponja azul Plakina coerulea, de cor incomumEduardo Hajdu

Vasculhando crostas e fendas de recifes de coral de praias concorridas próximas a Maceió, capital de Alagoas, um grupo de pesquisadores  da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificou três novas espécies de esponjas marinhas. As espécies foram descritas em artigo publicado em agosto no Journal of Natural History, assinado por Victor Cedro e Mônica Correia, da Ufal, e Eduardo Hajdu, da UFRJ. Uma das novas espécies é a Plakina coerulea, de cor azul, muito rara entre esponjas – elas costumam ser vermelhas ou amarelas. As outras duas são a Rhabderemia meirimensis e a Mycale  rubra. A descoberta é surpreendente porque a região vem sendo vasculhada há décadas e sofre diariamente com o impacto da visitação da população local e dos turistas, que danificam os recifes. As esponjas estão entre os seres multicelulares mais antigos e preferem crescer nas áreas mais escuras e profundas dos recifes, onde não enfrentam a concorrência de algas e corais, que crescem mais eficientemente em trechos mais iluminados. Foi encontrado apenas um indivíduo de duas espécies identificadas agora – e dois da terceira. Em geral, cada exemplar tinha poucos centímetros. Hajdu explica que as esponjas, além de ajudar a moldar reentrâncias nos recifes que servem de abrigo para outros organismos,  colaboram no controle da população de bactérias, das quais se alimentam ao filtrar a água do mar. “Elas filtram por dia um volume de água 10 mil vezes maior que o seu tamanho”, diz Hajdu. “Deve haver outras espécies raras vivendo próximas às cidades e que nunca vamos conhecer, se não houver uma mudança de atitude quanto à conservação desses ambientes.”

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