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COOPERAÇÃO

Reforço alagoano

Acordo com Fapeal põe mais pesquisadores no Genoma Cana

Nasceu da indignação o acordo entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) e a FAPESP, que integra a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) aos laboratórios paulistas voltados ao seqüenciamento genético da cana-de-açúcar, no âmbito do Projeto Genoma Cana. Há tempos o engenheiro agrônomo Eduardo Ramalho Neto e a bióloga Denise Wanderlei Silva, do Centro de Ciências Agrárias da Ufal, andavam intrigados, sem saber ao certo por que razões ainda não participavam desse trabalho, se Alagoas é o segundo maior produtor de cana-de-açúcar, depois de São Paulo, e a própria universidade mantém um banco de germoplasma de cana em Murici, a 60 quilômetros da capital, de onde saíram variedades cultivadas Brasil afora. No dia 27 de setembro, enviaram um e-mail ao biólogo Paulo Arruda, coordenador de DNA do Genoma Cana, contando que gostariam de participar das pesquisas.

Em resposta, Arruda comunicou que o trabalho se encontrava aberto à participação de grupos de outros Estados. Convidada por ele, Denise visitou o Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um dos laboratórios centrais do projeto. Não restaram dúvidas a respeito da qualificação dos pesquisadores de Alagoas: Ramalho Neto havia trabalhado com seqüenciamento de DNA no King College, na Inglaterra, entre 1990 e 1995, e Denise na Universidade da Georgia, nos Estados Unidos, entre 1993 e 1996.

Coube aos dois articularem a aproximação da Fapeal com a FAPESP, em molde semelhante ao acordo realizado em julho com a Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe) (ver Notícias FAPESP nº 44). Rapidamente se fez a parceria, formalizada por meio de um acordo de cooperação técnica, assinado em 18 de novembro em São Paulo. Em linhas gerais, a Fapeal compromete-se a equipar os laboratórios de biologia molecular e de bioinformática na Ufal, além de dar condições de aperfeiçoamento técnico aos pesquisadores do Estado nos laboratórios do Projeto Genoma da Cana-de-Açúcar, em São Paulo. À FAPESP cabe incluir os novos laboratórios na rede ONSA (Organization for Nucleotide Sequencing and Analysis), acompanhar as pesquisas e viabilizar o aprimoramento dos especialistas nos laboratórios paulistas associados ao projeto.

No dia 16 de dezembro, numa cerimônia a ser realizada no Palácio Floriano Peixoto, sede do governo de Alagoas, em Maceió, pesquisadores, plantadores de cana-de-açúcar e produtores de açúcar e de álcool de Alagoas e autoridades de órgãos públicos vão selar o acordo científico entre os Estados. Nesse dia, o presidente da Fapeal, Fernando Antônio Barreiros de Araújo, pretende lançar as raízes da parceria com o setor produtivo para completar os US$ 150 mil necessários para importar o seqüenciador automático de DNA, indispensável às pesquisas. Criada em 1991, a Fapeal, que este ano administrou um orçamento próximo a R$ 14 milhões, já reservou cerca de R$ 40 mil ao projeto. “Contamos com a colaboração do setor produtivo”, diz ele. Não será a primeira vez. Corre há anos o programa de melhoramento genético da cana-de-açúcar desenvolvido pela Ufal em conjunto com o Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool do Estado de Alagoas e cerca de 30 produtores da região. “Temos interesse em aumentar a produção estadual e melhorar as espécies de cana plantadas no Estado”, diz Araújo.

A equipe da Ufal, que conta com especialistas em fungos, microbiologia e patologia de plantas, e biotecnologia vegetal, com experiência no seqüenciamento manual de DNA, pretende se dedicar intensivamente à caracterização do genoma e à análise de dados resultantes da pesquisa, o chamado data mining, com pelo menos um objetivo específico: identificar os genes associados à síntese de proteínas envolvidas na resistência à escassez de água, que limita a produção de cana no Nordeste. “Acreditamos que será fácil para os pesquisadores de Alagoas incorporarem a tecnologia de seqüenciamento”, diz Paulo Arruda, da Unicamp.

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