Pesquisadores do Centro Médico da Universidade Radboud, nos Países Baixos, observaram um padrão preocupante ao selecionar estudos sobre lesões cerebrais precoces decorrentes de hemorragia subaracnoide, um tipo de sangramento que ocorre, por exemplo, quando há a ruptura de um aneurisma cerebral. Dos 608 trabalhos reunidos, cerca de 40% traziam imagens duplicadas de testes western blot, método usado na biologia molecular para identificar proteínas. Além disso, 37 deles continham imagens reutilizadas de tecidos e células feitas para outros experimentos que não a hemorragia subaracnoide, como estudos sobre Alzheimer, epilepsia e câncer de pulmão.
O objetivo original do grupo era escrever uma revisão da literatura científica sobre as formas de prevenir essas lesões. Em vez disso, eles publicaram um paper na revista PLOS Biology, apontando a alta prevalência de adulteração de imagens em artigos sobre hemorragia subaracnoide e a disposição limitada dos periódicos científicos em punir esses casos de má conduta. Dos 243 artigos problemáticos, apenas 19 foram retratados. Outros 55 receberam correções, 7 foram alvo de notas de “expressão de preocupação”, um alerta anexado a um artigo avisando os leitores de que aquele conteúdo está sendo reavaliado e pode vir a ser retratado em breve e 5 receberam sinalização de que havia uma investigação em curso.
Alguns periódicos fizeram correções furtivas, substituindo as imagens adulteradas sem nenhum aviso formal. Kim Wever, uma das autoras do estudo, disse ao site Retraction Watch que a falta de consistência na atitude das editoras era frustrante. Segundo ela, entre três artigos que usavam uma mesma imagem, um podia ser retratado, outro corrigido e o terceiro deixado intacto.
Duzentos e treze dos artigos com problemas – 87,7% do total – tinham como autor correspondente algum pesquisador afiliado a instituições da China. O periódico com o maior número de estudos problemáticos foi o Molecular Neurobiology, da editora Springer Nature, com 13 artigos. Brain Research, da Elsevier, e Stroke, da Lippincott Williams & Wilkins, vieram em seguida, com 10 artigos cada um. A análise foi feita com ajuda do ImageTwin, software de inteligência artificial que detecta reúso e duplicação ao comparar imagens divulgadas em um artigo com as de um banco de dados.
Republicar