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Tecnociência

Rótulo molecular

A batalha contra a falsificação de produtos deve ganhar um novo aliado. Pesquisadores da empresa gaúcha Noddtech, abrigada na Incubadora Empresarial e Tecnológica do Centro de Biotecnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), desenvolveram e estão prontos para colocar no mercado um marcador de segurança criado com moléculas orgânicas luminescentes capazes de indicar a origem de determinado material pela cor que ele emite sob luz ultravioleta, a popular luz negra. Se um plástico qualquer for marcado com esse rótulo molecular, que contém partículas nanométricas e por isso é chamado de nanorrótulo, a embalagem fabricada a partir dele pode ser rastreada durante todo o seu ciclo de vida, inclusive após o descarte. “Essa é uma tecnologia inédita no Brasil para este tipo de aplicação”, garante o químico Ricardo Vinícius Bof de Oliveira, diretor da empresa e um dos inventores do marcador. “As notas do euro contam com uma tecnologia similar, mas a nossa inovação atua como um rótulo molecular e se liga ao material durante o processamento convencional.” Os nanorrótulos da Noddtech empregam moléculas luminescentes da classe das benzazolas – usadas para fazer a marcação de microorganismos em ensaios imunoflorescen-tes – com grupos reativos capazes de se ligar quimicamente ao substrato que está sendo “certificado” sob condições normais de processamento e produção. Essas moléculas são, em sua maioria, incolores sob luz normal, mas apresentam intensa emissão colorida quando sobre elas incide a luz negra. Elas foram desenvolvidas a partir de compostos estudados pelo Laboratório de Novos Materiais Orgânicos do Instituto de Química da UFRGS. Os nanorrótulos já foram testados, com sucesso, para marcação de tecidos (algodão e poliéster), plásticos (náilon, polipropileno e PVC, entre outros) e proteínas (albumina, pectina e amido). Atualmente está em fase de desenvolvimento a marcação e certificação de combustíveis e biocombustíveis. “Acreditamos que a marcação luminescente possa inibir a falsificação e adulteração de combustíveis, porque com uma simples lâmpada negra é possível verificar a procedência e a qualidade do produto. A marca de gasolina A, por exemplo, poderia ter uma cor azul e a B, vermelha”, explica Oliveira. Os materiais marcados (ou certificados) não têm diferenças significativas em suas propriedades em relação aos não marcados, porque a quantidade de nanorrótulos utilizados é baixa, de cerca de uma parte por milhão.

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