Um questionário on-line foi respondido de modo anônimo por 1.630 pesquisadores da área biomédica de 80 países e avaliou suas percepções sobre problemas relacionados à reprodutibilidade científica, ou seja, sobre as dificuldades de verificar e confirmar resultados de pesquisa em trabalhos subsequentes. Dos entrevistados, 72% afirmaram que existe uma crise de reprodutibilidade no campo da biomedicina e a causa principal é a pressão excessiva para publicar artigos: 62% dos participantes disseram que a pressão “sempre” ou “muito frequentemente” contribui para gerar resultados falhos, que posteriormente não são reproduzidos.
Os dados do levantamento, realizado por pesquisadores do Canadá, da Austrália e dos Estados Unidos, foram publicados em novembro de 2024 na revista PLOS Biology. Somente 16% dos participantes indicaram que suas instituições haviam criado procedimentos para melhorar a reprodutibilidade da pesquisa biomédica. Para dois terços dos entrevistados, as universidades e os centros de pesquisa em que trabalham valorizam mais as pesquisas que buscam dados novos e originais do que os estudos de replicação, isto é, aqueles que verificaram os achados de outras pesquisas; 83% disseram que seria mais difícil obter financiamento para fazer um estudo de replicação do que organizar um experimento novo.
Kelly Cobey, psicóloga da Universidade de Ottawa, no Canadá, e autora principal do estudo, disse à revista Nature que uma cultura arraigada na comunicação científica, que valoriza a quantidade de artigos publicados em vez da qualidade, ajuda a alimentar o problema.
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