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Tecnociência

Sinal orgânico no espaço interestelar

O telescópio espacial infravermelho (ISO) da Agência Espacial Européia (ESA) detectou a presença do radical metil – CH3, formado por um átomo de carbono e três de hidrogênio – nas nuvens de gás e poeira entre as estrelas. Já registrado em 1998 pelo ISO em Saturno e, um ano depois, em Netuno, o CH3 é produto intermediário nas reações que formam hidrocarbonetos – o grupo de compostos orgânicos do petróleo e seus derivados.

É um radical chamado livre por ser muito reativo – combina-se facilmente para formar substâncias orgânicas – e isoladamente, não existe por mais que milionésimos de segundo. Agora foi detectado no centro de nossa galáxia, numa nuvem de temperatura estimada em -256ºC e densidade de cerca de 1 milhão de moléculas por centímetro cúbico. Anunciada em The Astrophysical Journal de 1º de junho, a descoberta fora prevista pelo alemão Gerhard Herzberg (1904-1999, Nobel de Química de 1971), mas não de forma tão abundante – 13 CH3 para cada milhão de moléculas de hidrogênio – indicando que os atuais modelos teóricos terão de ser revistos.

Segundo Helmut Feuchtgruber – do Instituto Max-Planck de Física Extraterrestre e um dos autores da descoberta, junto com holandeses, espanhóis e australianos – o ISO está mostrando a singularidade dos processos químicos que ocorrem no espaço. Operando desde 1995 e já com cerca de 30 mil observações feitas, o ISO também detectou no espaço moléculas de água, gelo e cristais de silicatos, entre outras.

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