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Boas práticas

Suspensão incomum

Relatório que apontou a eficácia da vacina contra Covid-19 no último inverno tem a divulgação adiada

Um relatório produzido pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos teve sua publicação adiada, em fevereiro, por ordem de Jay Bhattacharya, diretor interino do órgão. De acordo com reportagem do jornal The Washington Post, os dados do relatório indicavam que adultos saudáveis que receberam a vacina contra a Covid-19 no último inverno reduziram em 50% a probabilidade de visitarem prontos-socorros e em 55% de serem hospitalizados por causa da doença.

Bhattacharya suspendeu a divulgação e contestou a metodologia utilizada na pesquisa. Embora estudos observacionais sejam comumente usados para avaliar a eficácia de vacinas em grandes populações, ele alegou que a metodologia poderia apresentar uma visão imprecisa e sugeriu a aplicação de um ensaio clínico randomizado, no qual os pesquisadores, em vez de analisar dados da realidade e fazer inferências estatísticas, separam os participantes em grupos que receberam e não receberam o imunizante e comparam os resultados. Debra Houry, que atuou como diretora médica dos CDC até agosto de 2025, disse ao jornal The New York Times que o adiamento é uma medida incomum no órgão e a revisão de relatórios antes de sua publicação costumava ser tarefa de cientistas de carreira, e não do topo do comando.

Durante a pandemia de Covid-19, Bhattacharya se notabilizou por combater políticas de isolamento social – ele propunha deixar o vírus se espalhar naturalmente – e se opor à obrigatoriedade do uso de máscaras e de vacinas. Pesquisador da Universidade Stanford na área de economia da saúde, dirige desde 2025 os Institutos Nacionais de Saúde, principal agência de apoio à pesquisa biomédica nos Estados Unidos. Ele assumiu interinamente o comando dos CDC porque o cargo ficou vago por oito meses. Em agosto de 2025, o secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert Kennedy Jr., demitiu a diretora dos CDC, Susan Monarez, depois que ela se recusou a chancelar recomendações de vacinas que não têm base científica. No dia 16 de abril, o governo Trump finalmente designou um novo dirigente para os CDC, a médica e advogada Erica Schwartz.

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