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ARQUEOLOGIA

Tinteiro de 2 mil anos ainda com tinta

Museu Nacional de ConímbrigaObjeto metálico guarda pistas sobre escrita antigaMuseu Nacional de Conímbriga

Um tinteiro de bronze do século I, com resíduos de tinta, foi escavado nas ruínas de Conímbriga, cidade do Império Romano a 20 minutos do centro de Coimbra, em Portugal. A idade do instrumento coincide com a construção de uma muralha, indicando que seu dono poderia ser um arquiteto ou engenheiro envolvido no projeto. Uma análise minuciosa da tinta revelou uma mistura de carbono amorfo (presente no carvão), cera de abelha (como ligante) e gordura animal, que ajuda a fixar no papiro a mistura com tinta ferrogálica, que só se popularizou na Europa três séculos depois. Já o tinteiro é feito de uma liga composta por cobre, estanho e chumbo. “Encontrada no extremo ocidental do Império, a peça revela a extensão das redes comerciais e culturais que levavam objetos sofisticados, e provavelmente seus usuários, até as províncias”, ressalta o historiador português César de Oliveira, da Universidade de Évora, a Pesquisa FAPESP. Não foram encontrados vestígios de canetas, geralmente feitas de cana afiada ou penas de ave (Archaeological and Anthropological Sciences, 4 de novembro).

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