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Estratégias

Transgênicos para o terceiro mundo

Um painel independente de lideranças científicas tanto de países industrializados quanto em desenvolvimento, aprovou, na primeira quinzena de julho, o uso de plantas geneticamente modificadas para atender às necessidades de alimentação dos pobres do mundo, informou a Nature, de 13 de julho último. Entretanto, o painel, formado por sete academias nacionais de ciência, também pediu que a indústria privada compartilhe a tecnologia dos transgênicos com “cientistas responsáveis” para aliviar o problema da fome nos países em desenvolvimento.

O painel foi instalado no ano passado pela Sociedade Real Britânica, academias nacionais de ciência dos Estados Unidos, Brasil, China, Índia e México, e mais a Academia de Ciências do Terceiro Mundo, com o objetivo de oferecer “perspectivas científicas” sobre o papel da tecnologia de transgênicos na agricultura mundial. Segundo a nota da Nature, José Fernando Perez, um dos membros do painel e diretor científico da FAPESP, disse que os cientistas sentiram que “essa era uma boa oportunidade para oferecer uma reflexão técnica ao debate dos trângenicos”. No Brasil, acrescentou, o tema tem sido discutido quase que exclusivamente em termos políticos.

“Jamais tivemos um debate técnico.”O relatório defende que, entre outras metas, a tecnologia transgênica deveria ser usada para reduzir o impacto ambiental da agricultura. Propõe, também, que os países implantem sistemas para monitorar os potenciais efeitos das plantas transgênicas sobre a saúde humana. Na questão das patentes, o relatório diz que se certas tecnologias de alteração de plantas não forem extensivamente licenciadas ou fornecidas sem custo ao mundo em desenvolvimento, “dificilmente elas beneficiarão as nações menos desenvolvidas do mundo, por longo tempo.”Críticos, diz a Nature, reclamam que o relatório dá legitimidade a soluções de alta tecnologia, como os transgênicos, sem dar a devida importância a soluções locais mais apropriadas.

“Mesmo que a ciência tenha peso, não se pode considerá-lo isoladamente sem questionar o poder da mentira por trás da abordagem de mercado em relação à fome global”, diz Mark Curtis, da agência internacional de desenvolvimento ActionAid. Mas os integrantes do painel dizem que o relatório tem a preocupação de estabelecer a dimensão técnica de culturas transgênicas num contexto mais amplo. Isso requer, por exemplo, “isenções especiais” para agricultores pobres, a fim de protegê-los de “restrições inadequadas à propagação de suas culturas.”

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