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Tecnociência

Transistor com gordura

REPRESENTAÇÃO ARTÍSTICA DO DISPOSITIVO BIOELETRÔNICOScott Dougherty/LLNLREPRESENTAÇÃO ARTÍSTICA DO DISPOSITIVO BIOELETRÔNICO

Combinar estruturas biológicas com circuitos eletrônicos para criar equipamentos muito mais eficazes e versáteis tem sido objeto de estudo em diversos centros de pesquisa ao redor do mundo. A boa notícia é que esse objetivo pode estar próximo de ser atingido com os estudos de um grupo de pesquisadores do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, nos Estados Unidos. Eles conseguiram mesclar com sucesso nanofios feitos de silício com moléculas biológicas de uma membrana de lipídios, estrutura encontrada em todas as células. O resultado foi um dispositivo bionanoeletrônico, dotado de uma barreira para íons (átomos com perda de elétrons) e pequenas moléculas, bastante estável, autorregenerativo e quase impenetrável. A proteção dada pela membrana faz com que seus poros sejam o único caminho para os íons atingirem o fio. Com isso, os pesquisadores podem monitorar o transporte de cargas e controlar a proteína da membrana, já que alterando a voltagem é possível abrir ou fechar os poros das membranas. Em artigo na revista Proceedings of The National Academy of Sciences (10 de agosto), o coordenador do projeto Aleksandr Noy escreve que “circuitos eletrônicos que usarem esses complexos componentes biológicos poderão se tornar muito mais eficientes”. A inovação pode resultar em minúsculos transistores, o elemento básico de todos os equipamentos eletrônicos, feitos de nanofios, cujas espessuras são comparáveis às das moléculas biológicas. Eles poderão ser usados na fabricação de implantes neurais, próteses dos mais diversos tipos e até mesmo em computadores, entre outras aplicações.

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