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Genoma-FAPESP

Uma melancólica árvore de natal

Uma laranjeira atacada pela Clorose Variegada dos Citros (CVC) – doença identificada pela primeira vez, no Brasil, em 1987, pela doutora Victoria Rossetti, pesquisadora emérita do Instituto Biológico – apresenta ramos excessivamente carregados de frutos muito pequenos, precocemente amarelecidos e com casca extremamente dura. “Tão dura que, se essas laranjas afetadas forem postas na extratora de suco, simplesmente quebram a máquina”, resumiu o doutor Marcos Machado, coordenador do Laboratório de Biotecnologia do Centro de Citricultura Sylvio Moreira, em sua exposição sobre a CVC, no lançamento do projeto Genoma-FAPESP. Mas não é só por isso que os frutos da planta atacada pela CVC são imprestáveis para a indústria. “O suco, extremamente ácido, também torna essas laranjas sem valor para a indústria e impróprias para consumo in natura”, disse o pesquisador.

Existem outros sintomas da CVC, ou praga do amarelinho, espalhados pela planta inteira: redução acentuada no tamanho das folhas, que também se apresentam com lesões evidentes e irreversíveis; paralisação do A transmissão da bactéria é feita principalmente por cigarrinhas e por borbulhas infectadas. Os desafios do controle estão relacionados com o fato de a Xylella ser um patógeno sistêmico, que afeta toda a planta, provocando deficiência de vários nutrientes. “Seu controle químico é extremamente difícil e não existe antibiótico para a planta”, observou o pesquisador.

Em 1996, segundo Marcos Machado, 31% das plantas no Estado de São Paulo estavam contaminadas, em diversos níveis de sintomatologia. Mas 40% das plantas de 1 a 3 anos já estavam contaminadas e 3% encontravam-se em fase terminal (que dura de um ano e meio a dois anos). Todas as variedades são afetadas, mas sobretudo a laranja pêra, a principal no Estado. O aumento médio de infecção é de 20%, de um ano para outro. O presidente do Fundecitrus, Ademerval Garcia, apresentou números ainda mais alarmantes já para 1997: 34% das plantas afetadas, com crescimento da incidência, de 1996 para 1997, de 45%.

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