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BOAS PRÁTICAS

Universidade holandesa expõe artigos fraudulentos de ex-pesquisadora

Diretoria executiva da instituição tornou públicos problemas em sete papers da psicóloga italiana Lorenza Colzato, após demora dos periódicos para retratá-los

A diretoria executiva da Universidade de Leiden, nos Países Baixos, decidiu divulgar as referências completas de sete artigos com indícios de má conduta da italiana Lorenza Colzato, ex-pesquisadora do Instituto de Psicologia da instituição. Os casos envolvendo esses papers vieram à tona em fins de 2021, após o Comitê de Integridade Científica (CWI) da universidade ter constatado desvios e violações éticas em pelo menos 15 trabalhos da pesquisadora. Segundo o comitê, a psicóloga omitiu e manipulou dados de suas pesquisas, comprometendo a validade dos resultados. Ela também coletou amostras de sangue sem autorização do comitê de ética e omitiu as contribuições de coautores em relatórios de pesquisa.

Universiteit Leiden / YoutubeA psicóloga italiana Lorenza Colzato: papers com indícios de má conduta revelados pela Universidade de LeidenUniversiteit Leiden / Youtube

Em novembro, a universidade entrou em contato com os periódicos que publicaram sete dos 15 estudos pedindo para que tomassem providências para corrigi-los ou removê-los. Seis meses se passaram e nada aconteceu. A instituição então decidiu divulgar ela própria a lista de artigos, com o nome de seus autores e os títulos das revistas. O CWI explicou que a decisão se deu em respeito aos “jovens cientistas que denunciaram os casos e trouxeram à tona as violações da integridade científica” envolvendo os trabalhos de Colzato. “Eles também precisam saber quais artigos publicados são ou não problemáticos”, afirmou o comitê em comunicado publicado em maio no site da universidade. Após a divulgação, cinco artigos foram retratados e retirados do ar. Os editores responsáveis pelos outros dois papers afirmaram que as investigações ainda estão em andamento.

A universidade relutou em divulgar os trabalhos em um primeiro momento. Temia-se, a princípio, que isso pudesse trazer prejuízos para os outros autores que também assinam as publicações. Essa resistência recebeu críticas, inclusive do próprio diretor da CWI, Frits Rosendaal. Ao jornal holandês Mare, ele disse que “a ciência só pode ser corrigida rapidamente se as publicações problemáticas forem reveladas”. Em fevereiro, Pieter Drenth, professor de psicologia da Universidade Livre de Amsterdã, também afirmou ao Mare que, “no caso de violações da integridade científica, a abertura e a disponibilidade de informações são condições fundamentais para a depuração da ciência”.

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