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Vergonha no navio de pesquisa

O Joides Resolution, um dos grandes navios científicos do mundo, não navega sob a bandeira de nenhuma das 20 nações que patrocinam suas expedições oceânicas. Está oficialmente baseado na Libéria, país da África Ocidental, acusado de usar as fortunas que arrecada vendendo registros navais para patrocinar o comércio de armas e alimentar conflitos regionais que usam crianças como soldados (Nature, 4 de dezembro). Com a base na Libéria, os donos de navios aproveitam uma legislação menos exigente em relação à segurança e aos direitos trabalhistas.

Como as denúncias já levaram operadores a trocar a bandeira de suas embarcações, cresce na comunidade científica um movimento para forçar o Resolution a seguir esse caminho. As expedições científicas do navio são administradas pelas Instituições Oceanográficas Unidas (JOI, na sigla em inglês), um consórcio de 18 entidades públicas patrocinadas pela Fundação Nacional de Ciências (NSF, em inglês), dos Estados Unidos.

A JOI conhece os problemas envolvendo o registro do navio. Há dois anos, um ex-tripulante do Resolution escreveu uma carta a senadores americanos denunciando abusos na exploração da mão-de-obra do navio, sob os auspícios da Libéria. Por meio de seu representante, Steven Bohlen, a JOI limitou-se a desqualificar o denunciante como um descontentedemitido por incompetência. A NSF e o Congresso americano ficaram em silêncio.

Novas pressões surgiram em dezembro, às vésperas da partida do Resolution para a próxima etapa do Programa Internacional de Perfuração Oceanográfica (IODP, em inglês) – o maior projeto internacional de sondagem oceânica atualmente em curso, que envolve um contrato de US$ 625 milhões por dez anos com a NSF. Pesquisadores engajados na iniciativa mostraram-se incomodados com a vinculação do projeto com um país dissoluto.

Steven Bohlen afirma que sua organização está ocupada demais cuidando da organização da expedição para preocupar-se com o assunto. Mas Guy Cantwell, porta-voz da Transocean, empresa especialista em perfurações oceânicas, com sede em Houston, no Texas, e co-proprietária do Resolution, admitiu o constrangimento: Estamos cientes da preocupação da comunidade científica. Cantwell disse à revista Nature que a Transocean considera a possibilidade de mudar o registro do navio para um país que oferece benefícos semelhantes aos da Libéria, mas seja politicamente mais palatável, como as Ilhas Marshall, no Pacífico, por exemplo.

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