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Boas práticas

Veto a periódicos

Academia Chinesa de Ciências deixa de financiar taxas de publicação elevadas em revistas de acesso aberto

A Academia Chinesa de Ciências (CAS) informou aos 50 mil pesquisadores de seus mais de 100 institutos que não vai mais financiar taxas de publicação de artigos consideradas elevadas, como as cobradas por dezenas de periódicos de prestígio, a exemplo de Nature Communications, Science Advances e Cell Reports. A decisão foi anunciada em fevereiro na plataforma chinesa de mídia social Little Red Book. As razões para a restrição não foram explicitadas, mas a racionalização de gastos com publicações é certamente um dos objetivos – a China se tornou líder mundial na produção científica, com mais de 878 mil papers publicados em 2024.

Segundo mensagens enviadas pela CAS aos pesquisadores, o veto atinge uma lista de periódicos que cobram mais de US$ 5 mil para publicar um artigo. Já os chamados mega-journals, revistas científicas que publicam um grande número de artigos em acesso aberto na internet e abrangem um largo espectro de disciplinas, estariam fora da restrição – os principais títulos dessa categoria, PLOS ONE e Scientific Reports, cobram entre US$ 1,9 mil e US$ 2,5 mil por artigo. O veto deve se estender a outros órgãos de financiamento do governo, como o Ministério da Ciência e Tecnologia e a Fundação Nacional de Ciências Naturais da China. Os cientistas só poderiam publicar nos títulos mais caros se conseguissem fontes alternativas de financiamento.

A restrição pode ajudar a impulsionar a indústria editorial chinesa.  Há sete anos, o governo lançou um plano para fomentar 400 revistas de classe mundial sediadas na China, como alternativas acessíveis aos periódicos de países ocidentais. Em 2023, havia cerca de 180 revistas chinesas de acesso aberto publicadas em inglês. Quase metade delas não cobrava taxas de publicação, segundo um relatório das empresas Osmanthus Consulting e Clarke & Esposito, mencionado pela revista Science.

A nova diretriz da CAS promete afetar a lucratividade de alguns periódicos de acesso aberto. No caso de Nature Communications e Science Advances, por exemplo, cerca de 10% dos artigos publicados em 2025 tinham algum autor afiliado à academia chinesa e 40% eram assinados por ao menos um pesquisador vinculado a instituições do país asiático, segundo informações da base em dados da base de dados bibliométrica Web of Science.  A cientista da informação Lin Zhang, da Universidade de Wuhan, disse à Science que o movimento da CAS revela uma “tensão estrutural” na comunicação científica de caráter global. “Sistemas de pesquisa em todo o mundo buscam equilibrar as ambições de acesso aberto com a sustentabilidade financeira a longo prazo e a gestão responsável dos recursos públicos”, afirmou.

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