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Detecção de ondas gravitacionais é premiada com Nobel de Física

Rainer Weiss, Barry Barish e Kip Thorne, da Colaboração Ligo, dividem o prêmio

MARIA GUIMARÃES | Edição Online 14:34 3 de outubro de 2017

 

Rainer Weiss, Barry C. Barish e Kip S. Thorne

Desta vez a comissão do Prêmio Nobel não surpreendeu. Desde o ano passado se especulava que a detecção de ondas gravitacionais resultantes da fusão de buracos negros fosse um avanço científico digno da premiação, mas o feito era recente demais. O anúncio feito esta manhã pela Real Academia Sueca de Ciências destacou três físicos da colaboração científica do Observatório Interferométrico de Ondas Gravitacionais (Ligo), nos Estados Unidos. O alemão Rainer Weiss, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), fica com metade do prêmio. A outra metade é dividida entre os norte-americanos Barry Barish, de 81 anos, e Kip Thorne, de 77, ambos do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech). A iniciativa envolve mais de 100 instituições em 18 países, inclusive o Brasil.

A física Olga Botner, da comissão que decide o Nobel de Física, destacou – em entrevista disponível no site do prêmio – que ainda não existiam seres humanos quando dois buracos negros colidiram há 1,3 bilhão de anos. Mas as ondas resultantes demoraram todo esse tempo para chegar até a Terra e quando isso aconteceu já se tinha inventado instrumentos capazes de detectar os ecos muito sutis resultantes do fenômeno. Ela explicou que os três selecionados têm competências bem complementares. Weiss foi quem teve a ideia e deu forma ao projeto a partir dos anos 1960. Ele desenvolveu o protótipo, demonstrou o princípio, mapeou as fontes de som que seriam detectadas. Thorne, um dos fundadores do projeto Ligo, teve um papel importante na teoria que definiu o que se deveria procurar. Barish, definido por Olga como o visionário por trás da iniciativa de aumentar a sensibilidade do instrumento para possibilitar a detecção, uniu-se ao projeto em 1994.

O Ligo, cuja configuração com maior sensibilidade entrou em funcionamento no final de 2015, no início do ano passado fez o primeiro anúncio da detecção de ondas resultantes da colisão de um buraco negro. A existência dessas ondas tinha sido prevista há um século pelo físico alemão Albert Einstein (1879-1955) – também ganhador do Prêmio Nobel, em 1921 – como resultado de deformações do espaço-tempo causadas pela aceleração dos corpos celestes. Alguns meses depois os dados confirmaram a segunda detecção de ondas gravitacionais, mais sutis. Neste ano, o horizonte foi ainda mais expandido, com a detecção de buracos negros que colidiram e se fundiram a 3 bilhões de anos-luz da Terra. Estão agora em análise dados sobre outro tipo de ondas gravitacionais, resultantes da colisão de estrelas de nêutrons.

Recentemente o Ligo ganhou o reforço de outro detector, o Virgo, inaugurado em fevereiro na Itália. Os avanços permitem explorar recantos do Universo até agora inatingíveis e aprender sobre buracos negros, a força da gravidade e a respeito sobre o Big Bang, a explosão primordial que teria originado o Universo há cerca de 13,8 bilhões de anos. Os grupos brasileiros envolvidos são liderados pelo físico Odylio Aguiar, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, e pelo físico italiano Riccardo Sturani, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).


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