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História

França deve devolver objetos africanos

Marie-Lan Nguyen/Wikimedia Escultura da civilização Nok, da Nigéria, mantida no Museu do LouvreMarie-Lan Nguyen/Wikimedia

Dezenas de milhares de artefatos africanos mantidos em museus franceses terão de ser devolvidos se os países de origem das peças solicitarem seu retorno, concluiu um relatório encomendado pelo presidente francês, Emmanuel Macron (Nature, 27 de novembro). Os autores do relatório são o economista Felwine Sarr, da Universidade Gaston Berger em Saint-Louis, Senegal, e a historiadora Bénédicte Savoy, do Colégio da França, em Paris. Eles recomendaram que um conjunto de peças – tronos, estátuas e outras regalias reais tomadas pelas tropas francesas em 1892 durante o saque de Abomey, no atual Benim – seja devolvido o mais rápido possível. O relatório sugeriu que a França altere suas leis para permitir a repatriação de artefatos culturais obtidos durante o período colonial africano, do final do século XIX até 1960, e adquiridos ilicitamente após esse período. Especialistas em acervos argumentam que os artefatos poderão ser danificados ou roubados se forem enviados a países politicamente instáveis, sem museus devidamente equipados. A repatriação não é simples. O Museu J. Paul Getty, de Los Angeles, nos Estados Unidos, anunciou que continuará defendendo seu direito de manter uma estátua de bronze grega em sua coleção. Em 2010, um tribunal italiano ordenou que a estátua fosse devolvida, em meio à campanha italiana de recuperação de antiguidades roubadas de seu território. O museu Getty argumentou que a Itália não tem direito à estátua, encontrada no mar por um pescador italiano e comprada pelo museu em 1977 por US$ 4 milhões. O Supremo Tribunal italiano rejeitou a contestação do museu (Diário de Notícias, 6 de dezembro).

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