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Genoma-FAPESP

A importância da citricultura paulista

A citricultura domina a fruticultura internacional: ela responde por quase 23% de toda a produção mundial de frutas. A laranja, em particular, com uma produção de 59,7 milhões de toneladas, ou 63,7% do total dos citros produzidos em 1996, de acordo com as estatísticas da FAO, ocupa o primeiríssimo lugar. Dados como esses, apresentados pelo professor Evaristo Marzabal Neves, durante o lançamento do Genoma-FAPESP, ajudaram a compreender a importância sócio-econômica desse projeto.

O pesquisador, especialista em economia agrícola, destacou uma particularidade da cultura da laranja, que é a alta concentração de sua produção. “Embora a FAO catalogue 108 países produtores de laranja, mais de 50% da produção está concentrada apenas em dois: o Brasil, com 34,8% ,e os Estados Unidos, com 17,8% do total”, disse ele. O mesmo fenômeno da concentração se repete no cenário nacional e em escala regional: quatro estados detêm mais de 90% da produção brasileira de laranjas, com o Estado de São Paulo concentrando 83% do total.

Em terras paulistas, das 14 regiões agrícolas existentes, apenas quatro – as de Campinas, São Carlos, São José do Rio Preto e Barretos – respondem pela produção de 323,7 milhões de caixas de laranja, ou 85% da produção paulista para a safra 96/97, estimada pelo Instituto de Economia Agrícola em 381,7 milhões de caixas. “Essas regiões constituem o maior centro produtor de laranjas do mundo. Basta lembrar que os Estados Unidos, segundo maior produtor, têm uma colheita estimada de 297,9 milhões de caixas para a mesma safra”, disse Marzabal.

O pesquisador lembrou que somente no Estado de São Paulo mais de 20 mil estabelecimentos rurais, espalhados em 204 municípios, plantam laranja. “Temos 12 empresas na produção industrial de sucos, óleos essenciais, pelets, e muitos outros agentes econômicos envolvidos nessa atividade, seja na distribuição, transporte ou apoio logístico na estrutura portuária”. A citricultura gera cerca de 400 mil empregos diretos e indiretos no Estado de São Paulo.

A cultura de citros ocupa 940 mil hectares do Estado de São Paulo e a laranja corresponde a 93,5% desse total (ou 12,3% do total da área agrícola explorada), atrás somente da cana-de-açúcar e do milho. O valor bruto da produção, considerando-se apenas a produção agrícola e a industrialização, é de cerca de US$ 2 bilhões. Mas as exportações de suco, pelets (o Brasil é o maior exportador desse produto para alimentação animal) e frutas de mesa totalizaram R$ 1,6 bilhão no ano passado.

Na safra 1995/96, o Brasil produziu 1,055 milhão de toneladas de suco concentrado, ou 47,8% de toda a produção mundial, enquanto os Estados Unidos produziram 41,3%. No entanto , credita-se ao Brasil cerca de 80% de todo o suco transacionado no mercado mundial, porque o Brasil exportou 1,05 milhão, enquanto todos os demais países produtores, incluindo os Estados Unidos, exportaram apenas 290 mil toneladas. “Daí se comentar que, de cada 10 copos de suco concentrado de laranja servidos no mundo, oito são de suco brasileiro”.

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