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A participação do setor privado na pesquisa científica

A participação do setor privado na pesquisa científica

A participação do setor privado na pesquisa científica

A FAPESP acaba de instituir o Projeto Genoma, visando decodificar o DNA daXylella fastidiosa , bactéria causadora da Clorose Variegada de Citros – CVC, ou “amarelinho”, como é conhecida pelos citricultores. Essa é uma doença que, em citros, só está presente no Brasil e no norte da Argentina e foi identificada em 1987, na região Norte do Estado de São Paulo. Nesses dez anos, avançou sobre um terço das 220 milhões de árvores que constituem o parque citrícola paulista, o maior do mundo, que alimenta a indústria de suco de laranja mais importante do planeta, mantém 400 mil empregos, é essencial na economia de 204 municípios da região mais desenvolvida do Estado, e gera US$ 1,5 bilhão de exportações anuais.

Os prejuízos causados pela CVC são incalculáveis. Não só pelo custo da defesa dos pomares, mas pelas perdas que, apesar da defesa, ocorrem, pela morte prematura de árvores produtivas e o comprometimento da renovação dos pomares, já que ataca especialmente as plantas mais novas.

O Fundecitrus – Fundo Paulista de Defesa da Citricultura, fundado em 1977, é uma entidade privada, sem fins lucrativos, mantida com recursos das indústrias e dos citricultores, que tem por objetivo o monitoramento e o combate a pragas e doenças dos citros. Desde 1992, com o agravamento da CVC, criou seu Departamento Científico, que herdou os objetivos de uma outra fundação privada semelhante ao Fundecitrus, mas mantida apenas pela indústria – a Procitrus – , cuja finalidade era a realização e otimização de pesquisas nesse segmento agrícola.

O Fundecitrus realiza pesquisas somente relacionadas a pragas e doenças dos citros. Além da pesquisa própria, financia pesquisas nos institutos e instituições públicas como a Universidade de São Paulo, o Instituto Agronômico de Campinas e o Instituto Biológico, entre outras.

O Fundecitrus é, há mais de vinte anos, parceiro do setor público, financiando trabalhos relacionados com o cancro cítrico, bicho furão, larva minadora de citros, gomose e a CVC, na qual estamos investindo mais de US$ 2 milhões anualmente. Acreditamos que foi essa parceria, inclusive, que levou o Centro de Citricultura Sylvio Moreira, do IAC -, ao conceder, em junho passado, no primeiro ano de entrega do prêmio, o Troféu Centro de Citrcultura IAC aos financiadores de pesquisa – a premiar o Fundecitrus, junto com a FAPESP, FINEP e CNPq. Atualmente, a grande preocupação da citricultura é a CVC, e o Fundecitrus vê com enorme satisfação o engajamento da FAPESP e do governo do Estado nessa campanha da maior importância científica e econômica, mormente quando a bactéria já está presente no café e pode expandir-se ainda mais.

O Fundecitrus participará do Projeto Genoma com fundado orgulho, nos limites de sua capacidade e de seus recursos, acreditando muito que a parceria com a FAPESP sirva de base para outras. É uma abertura extraordinária, já que a FAPESP dispõe não apenas de maior suporte financeiro, mas tem larga experiência em pesquisa e reputação internacional suficientes para agregar ao Projeto Genoma, e a outros que certamente se seguirão, os melhores cérebros disponíveis nas especialidades de nosso interesse.

Ademerval Garcia é presidente do Fundecitrus

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