O Ministério da Ciência e Tecnologia da China anunciou que irá ampliar a fiscalização das universidades do país para avaliar se elas estão investigando e punindo pesquisadores envolvidos com má conduta. Segundo um comunicado do ministério, as instituições devem se concentrar na apuração de artigos de autores chineses publicados em revistas internacionais que sofreram retratação, ou seja, que foram considerados inválidos, por desvios éticos. O governo também exigiu que os resultados dessas investigações se tornem públicos para servirem de exemplo para a comunidade científica. As universidades que acobertarem casos de má conduta poderão sofrer punições severas, que, contudo, não foram detalhadas.
Li Tang, pesquisadora de políticas públicas da Universidade Fudan, em Shangai, e especialista em integridade científica, disse à revista Nature que responsabilizar as instituições pode ser uma maneira eficaz de conter a má conduta acadêmica. “A integridade da pesquisa costuma ser gerenciada com mais eficácia quando feita em nível institucional”, afirmou. Em 2024, a China promoveu uma auditoria nacional, exigindo que as universidades declarassem todas as retratações de artigos de seus pesquisadores e iniciassem investigações. Entre 2021 e 2024, mais de 17 mil papers retratados tinham chineses entre os coautores, segundo um levantamento feito pela Nature.
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