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Zoologia

Milênios de migração

Revoada de gansos-das-neves nos Estados Unidos: viagens permaneceram importantes nos últimos 50 mil anos

John Fowler / Creative Commons

Algumas aves dependem de percorrer distâncias quase inacreditáveis, até de um continente a outro, para escapar de variações climáticas e garantir alimento suficiente para subsistir e se reproduzir. Esse comportamento pode ser mais antigo do que se achava, de acordo com simulação computacional liderada pelo zoólogo Marius Somveille, da Universidade Yale, nos Estados Unidos (Nature Communications, 18 de fevereiro). O modelo foi validado com quase 10 mil espécies de aves atuais e depois alimentado com reconstruções do clima passado, levando em conta o custo energético da migração e o benefício em termos de alimentos disponíveis nas diferentes estações do ano. Os resultados indicam que as longas viagens aéreas permaneceram importantes nos últimos 50 mil anos. O período inclui o Último Máximo Glacial, há cerca de 20 mil anos, quando se supunha que a pouca variabilidade climática global típica da Era do Gelo beneficiaria uma vida mais sedentária. Apesar da estabilidade média das migrações, o estudo detectou uma variação conforme as regiões do mundo. No Velho Mundo (Europa, África e Ásia), a proporção de migrantes se manteve bastante estável, talvez um pouco maior nos períodos mais antigos analisados, e as distâncias eram comparáveis às atuais. Já nas Américas a proporção de espécies migratórias seria 20% menor há 20 mil anos em relação ao que se vê hoje. As distâncias viajadas também eram, em média, 500 quilômetros mais curtas. De acordo com o modelo, quanto mais se volta no tempo, menos espécies se reproduziam na América do Norte.

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