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Boas práticas

Nomeação cancelada após escândalo

O Instituto de Medicina Molecular de Veneto, em Pádua, Itália, cancelou a nomeação do geneticista Pier Paolo Pandolfi para a posição de diretor científico, depois da renúncia em massa dos membros do conselho consultivo científico da instituição em protesto contra a escolha. Em maio, Pandolfi foi indicado para o cargo pela fundação que mantém o centro sem que o conselho consultivo fosse ouvido, como determinam os estatutos da entidade.

Tão logo foi nomeado, passaram a circular relatos na Itália sobre as razões que levaram Pandolfi a se afastar da direção de um prestigioso centro dedicado a estudos genéticos sobre câncer da Universidade Harvard, o Beth Israel Deaconess Medical Center (BIDMC), em Boston, em dezembro de 2019. Pandolfi deixou os Estados Unidos após ser acusado de assédio sexual e de alterar imagens em 13 artigos científicos. “Deveriam ter investigado melhor o nome antes da indicação”, disse o bioquímico israelense Aaron Ciechanover, ganhador do Nobel de Química de 2004, um dos integrantes do conselho que renunciaram.

Pandolfi nega a adulteração de imagens, mas admite o assédio. “Foi o maior erro de minha vida, mas foi algo romântico, não sexual”, disse, segundo a revista Nature. A pesquisadora assediada, uma estagiária de pós-doutorado cujo nome foi mantido em sigilo, disse que Pandolfi se declarou para ela em 2018 e, a partir de então, passou a enviar e-mails e a provocar encontros para reiterar que estava apaixonado. Ela insistiu em manter a relação em nível profissional, em vão. “Foi horrível, embaraçoso e eu não conseguia trabalhar”, disse a pesquisadora, ao denunciar o caso ao centro em abril de 2019. Na ocasião, ela deixou de trabalhar diretamente com Pandolfi.

 

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