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Biodiversidade

O desmatamento e a fome das harpias

Jiang Chunsheng

A harpia ou gavião-real (Harpia harpyja), a maior águia do mundo, está desaparecendo de algumas regiões da Amazônia em consequência do desmatamento. Com pouco mais de 1 metro de altura, 9 quilos e 2,2 metros de envergadura, a harpia tem uma dieta restrita e vive mais de 50 anos. Come principalmente bichos-preguiça (Choloepus didactylus), macacos-prego (Sapajus apella) e macacos-barrigudos-cinzentos (Lagothrix cana) que encontra no alto das árvores. Para sobreviver e se reproduzir, precisa de pelo menos 50% de mata preservada em seu território, com um mínimo de 3 quilômetros de raio, segundo estudo realizado pelo biólogo brasileiro Everton Miranda durante seu doutorado realizado na Universidade de KwaZulu-Natal, na África do Sul (Scientific Reports, 30 de junho). Por quatro anos, ele e colaboradores monitoraram 16 ninhos de harpia em paisagens com diferentes graus de desmatamento no norte de Mato Grosso. Os pesquisadores esperavam que as aves alterassem sua dieta nas áreas desflorestadas e passassem a comer mamíferos terrestres, como gambás e tatus. Não foi o que ocorreu. Como mantiveram os hábitos alimentares, tiveram mais dificuldade para encontrar comida.

O site da revista Pesquisa FAPESP traz uma versão ampliada desta nota.

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