guia do novo coronavirus
Imprimir PDF Republicar

Informática

Plataforma acadêmica

Instituto Stela desenvolve sistemas para áreas da saúde, educação e ambiente

BRAZUma organização privada sem fins lucrativos dedicada à engenharia e gestão do conhecimento que já desenvolveu uma série de sistemas inovadores para organizações governamentais, universidades e empresas. Esse é o perfil do Instituto Stela, de Florianópolis, Santa Catarina, criado por profissionais oriundos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Eles são os desenvolvedores da Plataforma Lattes, um conjunto de sistemas de informações sobre pesquisadores brasileiros, bases de dados e portais voltados para a gestão de ciência e tecnologia. Os pesquisadores do Stela ganharam, em 1997, o contrato com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para um projeto de pesquisa e desenvolvimento que deu origem à Plataforma Lattes. O passo importante para esse contrato foi dado com a visibilidade conquistada quando o então Grupo Stela, criado em 1995 para atender a uma demanda do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da UFSC, construiu bibliotecas digitais e um sistema que permitiu atender os alunos iniciantes de um programa de mestrado a distância com uso de videoconferência. O sistema pioneiro de matrículas on-line, lançado em 1996, teve repercussão nacional.

A Plataforma Lattes foi lançada em 16 de agosto de 1999 com a primeira versão do Sistema CV-Lattes, com cerca de 35 mil currículos importados e adaptados de sistemas anteriores do CNPq. O CV-Lattes reúne as informações sobre a vida científica e acadêmica de pesquisadores, estudantes, docentes, gestores, técnicos e profissionais liberais ligados a ciência e tecnologia. “Desde então há um crescimento exponencial no número de currículos que compõem a plataforma e até o final de julho a estimativa é de que chegue a 1 milhão”, diz Vinícius Medina Kern, diretor de Projetos e Pesquisa do Instituto Stela. “Desenvolvemos para a Plataforma Lattes um conjunto de 138 produtos, produzidos entre 2002 e 2004, como, por exemplo, estatísticas de produção por área de conhecimento, dicionário de palavras-chave, além de conexão com outras bases de dados de ciência e tecnologia.”

A repercussão internacional da Plataforma Lattes se deu com a sua adoção como tecnologia fundamental da Rede ScienTI, formada em 2002, a partir de uma colaboração entre CNPq, Grupo Stela, Organização Pan-americana da Saúde (Opas) e Centro Latino-americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme). Atualmente, além do Brasil, participam Argentina, Cuba, Chile, Colômbia, Equador, México, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal e Venezuela. “Além dos sistemas mais conhecidos, desenvolvemos vários projetos de reconhecimento, como, por exemplo, a rede de egressos Lattes, que permite a qualquer pessoa conectada à internet, a partir da definição de parâmetros, acompanhar a trajetória profissional de ex-alunos”, diz Kern.

Ligação acadêmica
A condução de projetos da magnitude da Plataforma Lattes e em projetos de gestão do conhecimento fez com que pesquisadores do Grupo Stela se motivassem a criar um instituto de pesquisa privado sem fins lucrativos, o que ocorreu em setembro de 2002. Inicialmente, o instituto funcionou em paralelo ao grupo. A total independência se deu em março de 2005, quando os pesquisadores se mudaram para uma sede própria. Mas o instituto mantém ainda uma forte interação com a UFSC. “Nosso perfil é bastante acadêmico. Temos professores e alunos de pós-graduação e muitos de nossos colaboradores cursam disciplinas de mestrado e doutorado”, diz Kern. Desde o ano passado o Instituto Stela também conta com uma editora, criada para publicar teses, dissertações, artigos científicos e livros. O instituto tem em seu quadro de funcionários cerca de 60 pessoas, das quais sete são doutores e 15 mestres.

A trajetória internacional do Stela também resultou na elaboração de um sistema para a Opas, com sede em Washington, nos Estados Unidos, entidade que também representa a Organização Mundial da Saúde (OMS). O sistema localiza e contata profissionais para as missões da entidade por meio do sistema Localizador de Especialistas, desenvolvido por pesquisadores do Instituto Stela. Outro projeto criado pelo mesmo grupo de pesquisa é o Portal Sinaes, do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior, com dados e estatísticas produzidos desde 1991 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e atualizados constantemente. Pelo portal é possível consultar o número de cursos e o tipo de profissional que se forma em cada cidade, estado, região ou em todo o país. Ele permite ainda que o interessado encontre um curso de graduação a distância, além de análises comparativas da qualidade dos cursos existentes.

“Um dos principais sistemas de gerenciamento do conhecimento desenvolvidos para a primeira fase do projeto foi um mecanismo de seleção de professores para o banco nacional de avaliadores da educação superior, baseado em 43 critérios objetivos”, diz Kern. O portal permitiu a seleção com critérios objetivos e baseados em mérito dos cerca de 9 mil avaliadores de cursos superiores e cerca de 4.500 avaliadores de instituições, num total de quase 12 mil pessoas – há docentes que avaliam tanto os cursos como as instituições. “A nossa competência vai além das técnicas de construção de sistemas”, ressalta Kern. “Ela abrange também as áreas de engenharia e gestão do conhecimento, o que permite às organizações fazerem melhor uso da sua experiência.”

Demanda empresarial
Também foi realizado pelo instituto o desenvolvimento do Portal Inovação, uma plataforma interativa para a troca de dados entre empresas, universidades e instituições de ciência e tecnologia e inovação contratada pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) para o Ministério da Ciência e Tecnologia, em 2005. “O objetivo era criar um espaço para promover o encontro das competências em ciência e tecnologia com as demandas empresariais para inovar em produtos e processos”, relata Kern. Atualmente o instituto trabalha em uma nova fase de desenvolvimento da ampliação do portal, agora sob gestão da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), além de MCT e CGEE. “No início tínhamos uma base de especialistas e universidades muito grande, mas não tão grande de empresas. Agora estamos também dando mais espaço para instituições que apóiam o processo de inovação, como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e outras similares”, diz Kern.

Outro projeto recente concebido pelo Instituto Stela em parceria com o Ministério do Meio Ambiente é o portal eletrônico do Sistema Brasileiro de Informações sobre Educação Ambiental (Sibea). O portal tem um banco de dados com 200 mil informações da área. “Para produzirmos uma plataforma de sistemas de informação e conhecimento, existe todo um trabalho de articulação entre os vários atores que compõem determinado ambiente ou tema”, diz Kern.

Republicar