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Genoma-FAPESP

Projeto Genoma entra em nova fase

O Projeto Genoma Xylella está entrando em uma nova fase. No meio do caminho para a identificação das funções biológicas dos cerca de mil e duzentos genes da Xylella fastidiosa, a FAPESP está propondo mais um desafio: o avanço das pesquisas com novas hipóteses sobre a Clorose Variegada de Citrus (CVC) – doença provocada pela bactéria -, para a organização do projeto Genoma Funcional. Aliás, foi concedido em 1o de outubro o primeiro auxílio para um trabalho dessa natureza. Orientada por Helaine Carrer, do Departamento de Química da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/Usp), Maria Clara Pestana está estudando o “Isolamento de promotores específicos de xilema para a expressão dos genes 60 e Pr5k em Catharanthus roseus e Citros no controle da Xylella fastidiosa“.

O anúncio oficial da abertura do Genoma a cientistas de outras áreas foi feito em 30 de setembro, durante um workshop que contou com a participação de pesquisadores envolvidos no seqüenciamento e grupos atuantes em bioquímica, biologia molecular e fitopatologia. No encontro, foram discutidas as formas de utilização das informações genéticas já obtidas para entender o funcionamento da bactéria. Antes das discussões sobre a expansão do projeto, foram realizadas exposições sobre o estágio atual dos trabalhos e sobre a fisiologia e bioquímica da patogenicidade de bactérias em plantas pelos professores Andrew Simpson, coordenador do Genoma, Fernando Reinach, do Instituto de Química da USP e chefe de um dos dois laboratórios centrais, e Sérgio Pascolatti, da Esalq.

“Queremos encontrar uma forma de disponibilizar os dados para que os pesquisadores interessados na biologia da Xylella possam submeter à FAPESP novos projetos na área de fitopatologia”, afirmou o professor Reinach no início dos debates com especialistas desta área. Para ele, esse é o primeiro passo para a organização do Genoma Funcional, um projeto com o objetivo de estimular a formulação de propostas para controle da CVC, ou praga do amarelinho, vinculadas aos dados do Genoma Xylella.

Organizado por Marcos Machado, do Centro de Citricultura Sylvio Moreira, do Instituto Agronômico de Campinas, o encontro marca um momento importante para a Biologia Molecular. Pela primeira vez, pesquisadores paulistas poderão utilizar um agente patogênico seqüenciado para propor estudos inéditos. Antes mesmo do término do seqüenciamento, que deve acontecer em até um ano, será possível levantar hipóteses e indicar soluções em relação à doença. A Xylella fastidiosa foi identificada em 1973, mas só foi reconhecida como causadora da CVC em 1993.

Na visão dos fitopatologistas, a pesquisa sobre os mecanismos de ataque e os de defesa e a participação dos genes na interação planta-patógeno oferece muitos desafios. A bactéria é bastante especializada, seu cultivo é difícil e os sintomas demoram a aparecer na planta inoculada. Por isso, os estudos fisiológicos e bioquímicos devem ser conduzidos em condições naturais e controláveis.

Fernando Reinach, entretanto, destaca a oportunidade de ampliar a participação de pesquisadores dispostos a refletir sobre novos projetos relacionados ao estudo da doença. “Não iremos esperar o fim dos trabalhos de anotação (registro das funções biológicas de cada um dos genes) para dar início aos estudos sobre a CVC. Temos o privilégio de conhecer e o dever de utilizar as informações do genoma daXylella para dar continuidade às pesquisas. É uma chance única”, enfatiza.

Encontros deste tipo devem continuar a acontecer, e seus resultados definirão os parâmetros do Genoma Funcional. A indução de novos projetos e a colaboração interdisciplinar, de acordo com os organizadores do encontro, ampliará o conhecimento sobre um problema de grande importância para a agroindústria brasileira.

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