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Renascença

Raquitismo entre os Medici

Crânio de  Filippo de Medici, retratado com  a mãe na pintura: raquitismo por falta de sol e alimentação inadequada

WIKIMEDIACOMMONSCrânio de Filippo de Medici (ao lado), retratado com a mãe na pintura acima: raquitismo por falta de sol e alimentação inadequadaWIKIMEDIACOMMONS

Crianças da família mais poderosa da Renascença italiana sofriam de uma doença típica dos filhos de humildes trabalhadores, o raquitismo. Arqueólogos e paleopatologistas das universidades de Pisa e de Siena analisaram nove esqueletos infantis de descendentes dos Medici da Toscana – uma linhagem que gerou quatro papas entre os séculos XVI e XVII e patrocinou artistas do porte de Leonardo da Vinci e Michelangelo e estudiosos como Galileu – e constataram deficiência de vitamina D (International Journal of Osteoarchaeology, 28 de maio). Causado pela falta de exposição aos raios solares e alimentação pobre em cálcio, o raquitismo faz os ossos se tornarem moles e se deformarem. Ironicamente, a riqueza dos Medici deve ter sido a causa do problema de saúde.

Divisão de Paleopatologia, Universidade de Pisa“Os resultados nos surpreenderam”, diz Valentina Giuffra, paleopatologista da Universidade de Pisa, principal autora do estudo. “O raquitismo é uma doença da industrialização e das classes sociais pobres. Mas o estilo de vida das crianças dos Medici, baseado em um aleitamento materno prolongado e uma convivência em ambientes fechados, aumentou o risco de desenvolverem a doença.” Os ossos foram estudados visualmente e por meio de raios X, e pertenceram a crianças do século XVI que morreram com idades entre 0 e 5 anos. Oito dos nove esqueletos estavam numa cripta escondida, descoberta em 2004, na Basílica de São Lourenço, em Florença. A nona ossada foi achada numa tumba próxima. Seis crianças tinham sinais claros de raquitismo, com ossos dos braços e das pernas deformados.

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