Guia Covid-19
Imprimir PDF Republicar

Carreiras

Rumos da neurologia

Com trajetória premiada nos Estados Unidos, cientista pretende melhorar o tratamento de pacientes no processo de reabilitação após lesão do sistema nervoso

Arquivo pessoal Fregni é um dos ganhadores deste ano do Presidencial Early Career Award for Scientists and EngenieersArquivo pessoal

O médico e pesquisador paulistano Felipe Fregni, 44 anos, decidiu se especializar em neurologia, na área de estimulação cerebral, em uma época em que eram realizados poucos estudos nesse campo do conhecimento no Brasil. Ao concluir a graduação na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), foi incentivado por um de seus professores a ingressar diretamente no doutorado. “Quando estava terminando parte de meu período de residência no Hospital das Clínicas, em São Paulo, e depois do meu primeiro estágio no hospital Beth Israel Deaconess Medical Center da Harvard Medical School, em Boston, resolvi fazer o doutorado na USP, em ciências médicas com concentração em psiquiatria”, conta.

A sugestão de partir para o doutorado direto veio do psiquiatra Marco Antonio Marcolin, da FM-USP, recém-chegado da Carolina do Sul, onde realizou estudos no campo de estimulação cerebral. Em 2002, Fregni começou a estudar estimulação magnética transcraniana em pacientes com doença de Parkinson. Ao final do doutoramento, foi aceito como pesquisador assistente no mesmo hospital-escola de Harvard em que havia estagiado. A intenção era ficar apenas um ano. No entanto, acabou realizando três mestrados na instituição: o primeiro na área de pesquisa clínica, desenvolvimento de drogas e farmacologia, o segundo em saúde pública e o terceiro na área de educação e novas tecnologias.

“A essa altura já estava convicto de que desenvolveria minha carreira nos Estados Unidos”, recorda. Concluída a fase de estudos em Harvard, tornou-se professor-associado de epidemiologia na escola de saúde pública da instituição. Hoje, além de dirigir o Centro de Pesquisa de Neuromodulação de Spaulding, também é professor-associado da Harvard Medical School.

Apesar da trajetória estabelecida nos Estados Unidos, Fregni mantém laços profissionais com o Brasil. Ele é pesquisador do programa São Paulo Excellence Chair, cujo objetivo é propiciar a vinda de cientistas de primeira linha, do exterior, para criar núcleos de pesquisa em universidades paulistas. Em fevereiro de 2018, iniciou projeto em parceria com o Departamento de Reabilitação da FM-USP para investigar as redes inibitórias cerebrais, comprometidas em pacientes com lesão medular, amputações, osteoartrose e acidente vascular cerebral. “Quando falamos ou realizamos alguma atividade motora específica, precisamos inibir os outros neurônios, que não estão sendo usados nessa ação”, explica. “Pacientes com lesões neurais apresentam atividade cerebral desorganizada porque os neurônios não conseguem funcionar em conjunto.”

Envolvendo 500 pacientes, a investigação científica pretende verificar os marcadores de inibição cerebral, que, no futuro, poderão ser usados para estudar a eficácia dos tratamentos existentes, como terapias físicas, estimulação elétrica e estimulação cerebral não invasiva. “Hoje ainda não sabemos muito bem qual desses tratamentos é o mais adequado para cada caso. O estudo pretende entender essas especificidades”, completa.

As pesquisas que Fregni vem realizando no campo da neurologia lhe renderam o prêmio Presidencial Early Career Award for Scientists and Engenieers (Pecase), entregue em julho deste ano, em Washington. Trata-se da maior honraria concedida pelo governo dos Estados Unidos a pesquisadores em início de carreira de diversas áreas do conhecimento. “É um prêmio importante justamente por reconhecer cientistas com potencial para orientar as próximas gerações de pesquisadores”, completa.

Projeto
O déficit da inibição como marcador de neuroplasticidade na reabilitação (nº 17/12943-8); Modalidade Programa São Paulo Excellence Chair (Spec); Pesquisador responsável Felipe Fregni (USP); Investimento R$ 2.334.346,93.

Republicar