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Boas práticas

Teoria equivocada é alvo de retratação

A ideia de que o HIV não seria o causador da Aids foi defendida nos anos 1990 pelo biólogo Peter Duesberg, da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, mas caiu completamente em descrédito quando surgiram remédios que impediam a replicação do vírus e eliminavam os sintomas da síndrome. Em 2014, a revista científica Frontiers in Public Health publicou um artigo de Patricia Goodson, da Texas A&M University, que traçava um histórico da hipótese de Duesberg e voltava a colocar em dúvida o conhecimento consolidado sobre a causa da Aids. O artigo foi alvo de críticas, mas os editores do periódico decidiram mantê-lo. Reclassificaram-no como um texto de opinião e publicaram avaliações críticas ao conteúdo.

Passados cinco anos, o artigo foi finalmente retratado. O novo editor da revista, Paolo Vineis, do Imperial College de Londres, considerou que a estratégia adotada por seus antecessores foi ineficiente. Enquanto o texto de Goodson já foi visualizado mais de 90 mil vezes, os comentários críticos despertaram menos interesse, sendo visualizados 20 mil vezes. O agravante é que o artigo seguiu sendo compartilhado em redes sociais como evidência da veracidade da teoria marginal. “A atenção continuada que esse artigo recebe apresenta um risco potencial à saúde pública ao dar credibilidade a alegações refutadas que colocam dúvidas sobre a causa da Aids”, informou a publicação.

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