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Vida extraterrestre

Vida em Vênus?

Nasa

Uma notícia divulgada em setembro causou alvoroço. Um grupo internacional de pesquisadores identificou na atmosfera de Vênus, um dos planetas mais próximos da Terra, um possível sinal de existência de vida: a presença de fosfina. Nuvens situadas de 50 a 60 quilômetros acima da superfície venusiana são ricas nesse gás, formado por um átomo de fósforo e três de hidrogênio (PH3). Usando o telescópio James Clerk Maxwell, no Havaí, e a rede de radiotelescópios Alma, no Chile, a equipe da astrônoma Jane Greaves, da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, observou concentrações de fosfina na atmosfera de Vênus mil vezes mais altas do que as registradas na Terra (Nature Astronomy, 14 de setembro). Esse gás é produzido em reações químicas desencadeadas por raios, vulcanismo ou a queda de meteoritos. Na Terra, também é liberado por microrganismos que vivem em ambientes sem oxigênio. Para os pesquisadores, as concentrações observadas em Vênus não podem ser explicadas por fenômenos geológicos e atmosféricos conhecidos. “Com o conhecimento atual sobre química e sobre Vênus, não existe uma explicação possível para a presença de fosfina nas nuvens do planeta que não seja a vida”, disse a portuguesa Clara Sousa-Silva, astroquímica do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, e coautora do estudo, ao jornal Folha de S.Paulo. Na Nature Astronomy, os pesquisadores foram mais cautelosos. “A detecção de PH3 não é evidência robusta de vida, apenas de química anômala e não explicada”, escreveram.

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