CARTAS

Print Friendly

Cartas | 250

ED. 250 | DEZEMBRO 2016

 

Lagoa Santa

Na reportagem “Os povos de Lagoa Santa” (edição 247), André Strauss argumentou que não existiu em Lagoa Santa um “povo de Luzia” propriamente dito. Tendo em vista que na Lapa do Santo existem supostamente três padrões de enterramento distintos, o pesquisador propõe que a região foi ocupada por várias levas de populações. Não poderíamos discordar mais. Se há algo que o registro arqueológico em Lagoa Santa demonstra é que entre 12,5 mil anos e 4 mil anos houve uma grande continuidade cultural. Essa continuidade se expressa por meio de vários elementos: a formação dos sítios é extremamente similar, com a deposição de grande quantidade de cinzas; a indústria lítica e óssea permanece a mesma, assim como o uso dos recursos da paisagem. Sem falar na absoluta continuidade biológica da população. O fato do padrão de enterramento ter mudado ao longo do tempo não necessariamente implica a interveniência de culturas distintas. Modos de enterrar os mortos estão entre os aspectos mais variáveis dentro de uma cultura. Portanto, se algo é claro no registro de Lagoa Santa é que houve, de fato, um “povo de Luzia”.

Walter Neves – Instituto de Biociências/USP
Astolfo Araujo – Museu de Arqueologia e Etnologia/USP
São Paulo, SP

***
Redação científica

Parabéns pela oportuna reportagem “A ciência em palavras” (seção Carreiras, edição 249). Entretanto, o texto não deixa claro que redação correta de textos contendo termos científicos não é o mesmo que redação científica. Já atendi a centenas de pesquisadores revisando ou traduzindo seus manuscritos. Em nossa rotina de serviços, manuscritos com redação científica pobre (mesmo tendo redação correta e conteúdo científico) chegam a receber uma ou mais sugestões por linha de texto para que a qualidade da redação científica no manuscrito final venha a ser comparável àquela dos artigos citados nas referências. Os autores reconhecem a pertinência das nossas sugestões, incluindo a maior parte (70-95%) delas em seus manuscritos. Portanto, redação científica é muito mais que correção ortográfica e gramatical. Diante disso, entendo que os editores-chefes das revistas bilíngues deveriam aumentar a exigência no uso da redação científica pelos profissionais que prestam serviços aos escritórios editoriais. E os reitores deveriam incluir em seus campi um treinamento continuado em redação científica, seja em cursos ou escritórios de apoio.

Paulo Boschcov, São Paulo, SP

***
Caça ilegal

Sobre a reportagem “Os efeitos danosos da caça ilegal” (edição 249), a imagem da pele de onça na página 47 nos dá a dimensão da destruição. Não só em quantidade, mas a qualidade do que foi dizimado só amplia esse quadro.

João Parma

***
50 anos da Unicamp

Sinto orgulho dessa universidade (a respeito do artigo “Unicamp, 50 anos servindo o Brasil”, de Carlos Henrique de Brito Cruz, na edição especial Unicamp 50 Anos)! Parte do que sou devo a tudo que vivi, vi e aprendi nessa instituição modelo.

Marcela Aldrovani

***
Integralismo

Muito importante para a pesquisa, quase não há material disponível (sobre a nota “Acervo sobre integralismo doado à Unicamp”, edição 248).

Siglia Zambrotti

***
Correção

O salmão não é o peixe mais cultivado do mundo nem a tilápia, o segundo, como publicado na reportagem “A vez da tilápia” (edição 249). Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), três espécies de carpa estão nos primeiros lugares, vindo a seguir, em quarto, a tilápia. O salmão está em sétimo lugar.

Sua opinião é bem-vinda. As mensagens poderão ser resumidas por motivo de espaço e clareza. cartas@fapesp.br


Matérias relacionadas

MEMÓRIA
Wanda Hanke estudou sozinha indígenas da América do Sul nos anos 1930
AUDIOVISUAL
Videoativistas da periferia de São Paulo mostram como veem a metrópole
ARQUEOLOGIA
Artefatos sugerem que a Austrália foi ocupada por aborígenes há 65 mil anos