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Alimentação

Uma dieta rica em peixes

Pirarucu e pescador em desenho de Franz Keller do final do século XIX

Franz Keller, The Amazon and Madeira Rivers: Sketches and Descriptions from the Notebook of an Explorer Pirarucu e pescador em desenho de Franz Keller do final do século XIXFranz Keller, The Amazon and Madeira Rivers: Sketches and Descriptions from the Notebook of an Explorer

As populações pré-colombianas da Amazônia, além de se alimentar de milho, inhame e mandioca, como levantamentos recentes já haviam indicado, eram consumidoras habituais de peixes – incluindo pirarucus com mais de 100 quilogramas, hoje raros na região – e tartarugas de grande porte (Journal of Archaeological Science: Reports, novembro de 2015). Pesquisadores da Universidade de São Paulo, da Universidade Federal do Oeste do Pará e do Museu Nacional de História Natural de Paris chegaram a essa conclusão após examinarem os ossos de 9.474 animais consumidos pelos moradores do sítio arqueológico Hatahara, no município de Iranduba, a 25 quilômetros de Manaus, na confluência dos rios Negro e Amazonas, entre os anos 750 e 1230 d.C. Hatahara é um dos principais sítios da região amazônica, onde já haviam sido encontrados urnas funerárias, vasos, utensílios de comida e um esqueleto inteiro de um índio, enterrado entre os séculos VIII e XII. Os peixes representaram 76% do número de espécies identificadas, sendo o mais comum o pirarucu, seguidos pelos répteis, com 20%, principalmente as tartarugas do gênero Podocnemis (tracajá e tartaruga-da-amazônia), e cobras encorpadas como a sucuri-verde; mamíferos, anfíbios e aves eram raros. Esse levantamento elucida as formas de sobrevivência dos moradores da Amazônia antes da chegada dos europeus. Até agora foram encontrados mais de 100 sítios na região amazônica, formados entre os anos 300 a.C. e 1500 d.C, com populações provavelmente numerosas.

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