
Paulo Lanzetta / EmbrapaButiá, da região SulPaulo Lanzetta / Embrapa
Se você pensar no que comeu na última semana, quanto foram algas, cogumelos, insetos ou frutos silvestres? De espécies nativas do Brasil, nada de champignon ou alga japonesa. A diversidade local está ausente das políticas de segurança alimentar, embora faça parte da cultura de comunidades tradicionais. Um estudo liderado por pesquisadores das universidades federais do Rio Grande do Norte (UFRN) e de Pernambuco (UFPE) compilou um inventário de 369 espécies usadas na alimentação em diferentes pontos do país e, usando ferramentas de inteligência artificial, identificou que as espécies mais estudadas são as que existem em um maior número de receitas pelo país, sem que aspectos ecológicos e de conservação tenham peso. Há pouca informação nutricional sobre algas, insetos e cogumelos. “Na Amazônia, onde o aumento do consumo de produtos ultraprocessados no lugar de alimentos tradicionais tem sido acompanhado de um aumento nos índices de anemia, diabetes e hipertensão, a biodiversidade poderia ser uma aliada importante no combate à desnutrição”, comenta o biólogo e coautor Daniel Tregidgo, em comunicado do Instituto Mamirauá, onde é pesquisador. Uma dieta rica pode conter mais camu-camu, um fruto amazônico, e insetos como as tanajuras (Scientific Reports, 2 de março).

Rafael Cavalheiro Manoel / Wikimedia Commons | Túllio F / Wikimedia Commons | francesco782 / iNaturalistTanajura e, da Amazônia, camu-camu e cubiuRafael Cavalheiro Manoel / Wikimedia Commons | Túllio F / Wikimedia Commons | francesco782 / iNaturalist