Os movimentos culturais estão sempre criando inovações em algum setor da sociedade que ensejam novas formas de ver e pensar sobre temas aparentemente já estabelecidos. O patrimônio cultural é um deles. Originalmente visto apenas como sinônimo de edificações históricas e obras de arte, hoje trata também de bens imateriais (práticas, saberes, celebrações), paisagens (formas de ocupação do espaço, modos de vida), entre outras possibilidades de manifestação que se deseja ver preservada.
A América Latina vem desenvolvendo um jeito próprio de pensar o patrimônio. Recentemente, esse arcabouço ganhou maior concretude com o lançamento de um atlas, que traz análises e verbetes sobre os significados contemporâneos do patrimônio latino-americano, feito por 40 pesquisadores de 13 países da região. O debate ocorre desde a década de 1960 e começou a ser pensado para abranger a proteção de músicas, danças e expressões populares. Na última década, novos elementos entraram na discussão, como a repatriação de remanescentes humanos e espaços associados a experiências traumáticas, como prisões, manicômios, lugares ligados à escravidão e centros de repressão de ditaduras. A editora assistente Christina Queiroz explica como essa mudança de entendimento rompeu com a tradição de valorizar somente projetos arquitetônicos históricos.
A diversidade está presente também no estudo sobre as três ondas migratórias que chegaram à América do Sul. A mais recente, sabe-se agora, ocorreu por volta de 1.300 anos atrás. Essa terceira onda não estava documentada e só surgiu após o sequenciamento de 128 genomas representando 45 povos indígenas de oito países sul-americanos. Além dessa descoberta, algo mais merece destaque nesse trabalho: a biomédica Putira Sacuena, da UFPA, é a primeira mulher indígena a trabalhar com antropologia genética, como lembrou a geneticista Tábita Hünemeier, da USP, coordenadora do estudo. A editora de Ciências Biológicas Maria Guimarães conta essas histórias.

ReproduçãoRevista premiada: reconhecimento à qualidade da cobertura de C&TReprodução
Um conjunto de iniciativas de base tecnológica conduzidas pelo Banco Central brasileiro vem causando um impacto significativo no sistema financeiro nacional. A mais famosa delas é o Pix, o modo de transferência monetária instantânea usado por 80% da população. Embora tenha apoio de estudos realizados em universidades, a maioria das inovações nessa área vem da pesquisa e do desenvolvimento feitos dentro de instituições bancárias. Uma delas, chamada de Drex, é uma versão digital do real, que deverá estar disponível em versão-piloto ainda este ano. A reportagem do colaborador Domingos Zaparolli nos diz como o Drex vai funcionar.
Pesquisa FAPESP tem noticiado os principais fatos da ciência brasileira contemporânea em seus 27 anos de existência. Quem nos lê, certamente já notou que também não esquecemos o passado. Em todas as edições publicamos a seção Memória, que celebra eventos, contribuições e cientistas de outrora; e, de modo intermitente, publicamos obituários, notadamente sobre pesquisadores que tiveram grande reconhecimento em sua área. Nesta edição tratamos de três: o historiador Fernando Novais, o arquiteto Nestor Goulart e o médico Silvano Raia. São três trajetórias que deixaram marcas na academia e na sociedade.
Para encerrar, não poderia trazer uma notícia melhor: Pesquisa FAPESP ganhou o prêmio José Reis de 2026, concedido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na categoria Instituição e Veículo de Comunicação. A equipe responsável celebra e agradece o reconhecimento. Todo o patrimônio da revista está disponível on-line, gratuitamente.
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