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Tecnociência

Cirurgia especial para mulheres

Quando o assunto é doença cardíaca, as mulheres sempre se consideraram privilegiadas em relação aos homens. Até a menopausa, pelo menos, a proteção conferida pelo hormônio estrogênio garantia menor incidência de infartos. Agora, uma pesquisa revela que essa suposta vantagem desaparece diante de um bisturi. De acordo com o estudo da cardiologista Viola Vaccarino, da Emory University, Estados Unidos, as mulheres têm risco três vezes maior do que os homens de morrer durante ou logo após uma cirurgia de implantação de ponte de safena. E o que é pior: o risco aumenta quanto mais jovem é a mulher, de acordo com a revista Circulation (18 de fevereiro). A equipe acompanhou a evolução de 51.187 pacientes.

A porcentagem de morte entre as mulheres foi de 5,3% e de homens, 2,9%. Surpreendentemente, essas diferenças foram maiores entre as mais jovens. O índice de mortalidade das mulheres com menos de 50 anos foi de 3,4% (1,1% entre os homens). A diferença na taxa de mortalidade diminuiu entre os sexos à medida que a idade aumentava. As que foram objeto de estudo tinham doenças coronarianas menos graves do que os homens. Essa maior probabilidade de morte talvez possa ser atribuída à técnica cirúrgica, desenvolvida para homens. “Os homens possuem artérias mais largas do que as mulheres e a operação é mais difícil com artérias pequenas”, diz Viola. O estudo pode ser um incentivo para a criação de uma técnica específica para mulheres.