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Memória

Raridades na rede

Projeto Brasiliana Digital disponibiliza livros antigos da Biblioteca Mindlin na internet

FAC--SÍMILES: WWW.BRASILIANA.USP.BRO primeiro livro impresso no Brasil (1747) e páginas de Sermões (1679-1748)FAC--SÍMILES: WWW.BRASILIANA.USP.BR

A preciosa coleção de livros, manuscritos e periódicos raros garimpados ao longo de 80 anos pelo jornalista, advogado e industrial José Mindlin começa a sair das prateleiras de sua biblioteca particular no bairro do Brooklin, em São Paulo, para se mostrar por inteira na internet. Desde junho, é possível ler, copiar e imprimir livros que formam o mais completo conjunto privado de obras sobre temas brasileiros. Eles são reunidos desde 1927, quando Mindlin começou a adquirir livros antigos, aos 13 anos. São títulos raros, alguns do século XVI, sobre literatura brasileira e portuguesa, relatos de viajantes, manuscritos históricos e literários, periódicos, livros científicos, didáticos, de arte e iconografia. Foram digitalizados até agora, dentro do projeto Brasiliana Digital, por volta de 3 mil documentos (livros, folhetos, imagens, mapas etc.), que estão disponíveis no endereço eletrônico www.brasiliana.usp.br (conheça alguns nesta página).

O Brasiliana Digital integra um projeto maior, o Brasiliana USP, coordenado pelo historiador István Jancsó, do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da Universidade de São Paulo. José Mindlin, de 95 anos, doou parte de sua biblioteca, a coleção Brasiliana de 17 mil títulos (40 mil volumes) para a USP em 2006 sob a condição de se construir um edifício próprio para os livros, de modo que eles tivessem o mesmo cuidado e atenção que recebem no prédio que o bibliófilo ergueu para guardá-los no terreno onde está sua casa. A universidade buscou formas de concretizar o desejo de Mindlin, com recursos próprios e patrocínio privado.  Neste ano começou a ser construído um prédio na Cidade Universitária que abrigará a biblioteca doada e, também, as novas instalações do IEB. “A ideia é criar um centro que pense a cultura e a memória brasileira acessível a toda a população, indistintamente”, explica Jancsó.

Para o projeto da Brasiliana Digital serão digitalizados cerca de 12 mil títulos por serem de domínio público. Para tanto, foi comprado um sistema de digitalização robotizada de livros encadernados da Kirtas Tech, uma empresa norte-americana. Trata-se de um robô, apelidado pela equipe do Laboratório  Brasiliana Digital de Maria Bonita, que fotografa até 2.400 páginas por hora (cerca de 40 livros por dia).

O projeto da Brasiliana Digital é coordenado pelo historiador Pedro Puntoni, da USP, e financiado pela FAPESP no valor de R$ 980 mil, dinheiro suficiente para comprar a Maria Bonita (US$ 220 mil) e pagar 15 bolsistas. “No total, temos 30 profissionais envolvidos, entre professores, pesquisadores, técnicos e bolsistas, trabalhando na digitalização”, diz Puntoni. Os livros podem ser pesquisados pelo conteúdo e são oferecidos completos em resolução para impressão (300 DPIs) ou para visualização na tela (100 DPIs). A Escola Politécnica (Poli/USP) também participa, auxiliando no manejo e desenvolvimento de softwares. “Posteriormente deveremos continuar usando o robô para outros projetos que se apresentarem”, conta o professor Edson Gomi, da Poli. Com o projeto, conseguiu-se preservar os livros raros para o futuro e garantir a universalização do acesso. A frase sempre repetida por Mindlin – “A gente passa e os livros ficam” –tornou-se ainda mais verdadeira.

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