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Carreiras

Nas águas do mundo

Biólogo português que estudou e trabalhou em quatro países agora é professor na UFSCar

Carreiras_DSCN7146arquivo pessoalPortuguês da cidade do Porto, o biólogo Hugo Sarmento, aos 37 anos, já morou em quatro países. Formado na Universidade do Minho, em Portugal, ele fez o doutorado na Universidade de Namur, na Bélgica, onde ficou por seis anos também como responsável por projetos de pesquisa. Nesse período passou várias temporadas em países africanos estudando o plâncton de grandes lagos como o Kivu e o Tanganica. “Esse trabalho me levou a ficar por mais de três meses por ano em países como Ruanda e República Democrática do Congo”, diz Sarmento. Antes do doutorado, morou por nove meses em Angers, na França, para estagiar em uma empresa de consultoria ambiental com bolsa da União Europeia. Depois fez estágio de pós-doutorado no Instituto de Ciências do Mar em Barcelona, na Espanha, por cinco anos.  Nesse período visitou outros países, inclusive o Brasil, durante as expedições Tara Oceans e Malaspina para coleta e pesquisa de plânctons em todos os mares do planeta, entre 2009 e 2012.

Casado com uma brasileira que trabalha com comércio exterior e que ele conheceu há 15 anos na França, Sarmento tinha ideia de se fixar no Brasil e se candidatou a uma bolsa do programa Ciências sem fronteiras, do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), na modalidade que busca atrair pesquisadores para o país, e tornou-se professor visitante na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). No final de 2013 participou de um concurso público para a vaga de professor na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). “Eu nunca tinha participado de concursos e não conhecia São Carlos, tinha apenas ouvido colegas recomendar a universidade, a cidade e também a FAPESP”, diz Sarmento. No início de 2014, ele já era professor no Departamento de Hidrobiologia da UFSCar, ano em que teve aprovado um projeto do Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes da Fundação para estudar a biodiversidade e a genética de microalgas e plânctons.

“Queremos explorar essa diversidade de microrganismos em ecossistemas aquáticos e identificar, por exemplo, aqueles que têm toxinas e podem ser patógenos, e também mapear a distribuição de genes com possível aplicação futura em biotecnologia. “Na expedição Tara Oceans encontramos mais de 35 mil espécies de bacterioplâncton no oceano e descrevemos mais de 40 milhões de genes.” Ele colabora com o professor Armando Vieira, também da UFSCar, em um projeto para enriquecer e manter na universidade uma das maiores coleções de microalgas do mundo. “Encontrei na UFSCar um excelente ambiente e infraestrutura para a pesquisa e acredito que poderei contribuir para o avanço da ciência na minha área.”