EDITORIAL

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Precursores e pioneiros

ALEXANDRA OZORIO DE ALMEIDA - DIRETORA DE REDAÇÃO | ED. 253 | MARÇO 2017

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O pioneirismo de Monteiro Lobato como autor de literatura infantojuvenil brasileira é inconteste: sua importância é destacada por pesquisadores que se dedicam ao tema e evidenciada pelo sucesso de público que seus livros alcançaram. O próprio autor, hábil em autopromoção, ajudou a construir esse papel de protagonista.

Por mais importantes que sejam, expoentes como Lobato não são necessariamente os primeiros: precursores frequentemente abrem o caminho. Décadas antes da publicação de A menina do narizinho arrebitado (1920), o Brasil já contava com um mercado editorial infantil, composto em grande parte por traduções de obras, e também com escritores locais.

Na reportagem de capa desta edição, o editor especial Carlos Fioravanti não apenas apresenta esse pouco conhecido panorama pré-lobatiano como traz uma obra infantil inédita, escrita há 120 anos pelo educador fluminense João Köpke. O fac-símile de Versos para pequeninos, que veio a público em 2013, quando o manuscrito foi citado em tese de doutorado defendida pela bisneta de Köpke, está disponível em formato de e-book no site de Pesquisa FAPESP.

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Um retrato regionalizado da capacidade científica das 15 regiões administrativas paulistas foi divulgado em fevereiro pela Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp). O Mapa da ciência, cujo conteúdo é resumido e discutido em reportagem, evidencia perfis de especialização regional que podem contribuir para a orientação de investimentos privados e de políticas públicas.

Retrata, ainda, os acertos de políticas públicas de construção de capacidade científica, algumas direta e indiretamente relacionadas com desafios econômicos e sociais do estado. Na busca por soluções agrícolas, por exemplo, há iniciativas centenárias: a partir da criação do Instituto Agronômico de Campinas (IAC),  há 130 anos, concentraram-se no entorno de Campinas 22% dos pesquisadores do estado em Ciências Agrárias, embora os municípios da região abriguem 9,17% da população paulista; da mesma forma, a presença da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP, aglutinou 15,33% dos pesquisadores paulistas em Ciências Agrárias na região de Piracicaba, que tem apenas 3,3% da população do estado. O pioneirismo e os contínuos investimentos na área de saúde na Região Metropolitana de São Paulo, onde está 51,27% da população estadual, criaram um protagonismo dessa área de conhecimento, concentrando 54,95% dos pesquisadores.

Iniciativas estaduais e federais nos últimos 20 anos levaram à criação de novas instituições e à expansão das já consolidadas em São Paulo. O estudo também destaca algumas deficiências: em três das 15 regiões se constata uma fragilidade em termos de capacitação científica.

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Quando se fala em barroco brasileiro, vem à mente a rica arte sacra presente em igrejas e museus de Minas Gerais, Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro. Nos últimos anos, grupos de pesquisa têm resgatado o barroco paulista não só na capital, mas também em cidades do interior do estado, por meio de estudos e restaurações de igrejas, pinturas e esculturas. O resultado é que obras foram redescobertas e artistas esquecidos vieram à tona, contrariando a percepção de que o barroco feito em São Paulo era pobre e inexpressivo.

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