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Não deu zika nas Olimpíadas do Rio

ED. 260 | OUTUBRO 2017

 

Mosquito Culex quinquefasciatus, o popular pernilongo, que pode transmitir o vírus da Febre do Nilo Ocidental

Estudo de médicos da Universidade de Utah feito com 457 atletas e pessoal de apoio da equipe norte-americana que participou dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016 não detectou nenhum caso de infecção pelo vírus zika. No entanto, 7% dos indivíduos (32 casos) testaram positivo para outras arboviroses, que teriam sido contraídas durante sua permanência na capital fluminense. Por meio de exame de sangue ou sorologia, foram confirmadas duas infecções por dengue, três por chikungunya e 27 pelo vírus da Febre do Nilo Ocidental (Open Forum Infectious Diseases, 4 de outubro). Os autores do trabalho fizeram testes nos membros da equipe dos Estados Unidos pouco antes e logo depois dos Jogos Olímpicos. “Os que tiveram sorologia negativa antes da viagem e positiva após os jogos devem ter apresentado a forma assintomática da Febre do Nilo Ocidental enquanto estiveram no Brasil”, diz o pediatra Krow Ampofo, um dos autores do estudo. O Brasil não dispõe de registros sistemáticos sobre casos da Febre do Nilo Ocidental, cujo vírus é transmitido ao homem principalmente por mosquitos dos gêneros Culex, o popular pernilongo, e Aedes. O primeiro caso em seres humanos no país foi relatado em 2014, no interior do Piauí. Nos Estados Unidos, a presença desse vírus é relativamente comum. A maioria dos infectados é assintomática, mas, em menos de 1% dos casos a doença pode provocar sérios problemas neurológicos, como encefalite e meningite, e levar à morte. “O resultado do estudo é estranho e carece de comprovação”, pondera o virologista Maurício Lacerda Nogueira, da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp). ”Mas não ficaria surpreso se tivéssemos muito mais casos de Febre do Nilo Ocidental do que imaginamos.”


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