CARREIRAS

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Do genoma para o mercado

Participação no projeto de sequenciamento da Xylella fastidiosa estimulou a bioquímica Ana Claudia Rasera a fazer pesquisa em empresas

RODRIGO DE OLIVEIRA ANDRADE | ED. 262 | DEZEMBRO 2017

 

A bioquímica Ana Claudia Rasera tinha 30 anos quando, em 1997, foi convidada para participar do primeiro projeto de sequenciamento de um genoma no Brasil, o da Xylella fastidiosa, bactéria causadora da clorose variegada dos citros (CVC), então uma das piores pragas dos laranjais de São Paulo.

Ela era professora de bioquímica e biologia molecular na Universidade de São Paulo (USP), cargo que ocupava desde 1996, e se juntou à equipe do bioquímico Fernando Reinach, então professor do Instituto de Química (IQ) da USP e coordenador de um dos laboratórios responsáveis pelo sequenciamento e treinamento dos pesquisadores.

Pouco antes da conclusão do sequenciamento da bactéria, ela foi convidada para coordenar, ao lado do biólogo Jesus Ferro, o programa Genoma Funcional da Xylella, projeto paralelo ao do genoma que pretendia investigar a função dos genes identificados ao longo do sequenciamento e, assim, compreender como a bactéria desencadeava a CVC.

Ela aceitou o desafio. Além de se qualificar na área de genética molecular e biotecnologia, a experiência adquirida ao participar do projeto genoma Xylella a estimulou a se engajar em outros empreendimentos voltados à área de pesquisa empresarial.

Em 2002, dois anos após a conclusão do sequenciamento da bactéria, a bioquímica deixou o laboratório onde trabalhava para fundar, com outros integrantes do projeto, a Allelyx (Xylella ao contrário), empresa de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) de produtos de biotecnologia voltada à geração de patentes e licenciamento de tecnologias em genômica aplicada.

Ana Claudia tinha 35 anos e nunca mais voltou para a carreira acadêmica. “O trabalho na empresa nos permitiu estabelecer várias parcerias com a indústria, para entendermos seus problemas e tentar encontrar soluções biotecnológicas”, explica a pesquisadora. “Isso me motivou a fazer um curso de MBA [Master of Business Administration] em gestão empresarial para aprender a coordenar grandes equipes e a gerir adequadamente os recursos disponíveis para as pesquisas”, diz.

Em 2008 a Alellyx foi vendida junto com a empresa CanaVialis para a multinacional norte-americana Monsanto por US$ 290 milhões (o equivalente hoje a cerca de R$ 980 milhões). Ana Claudia trabalhou mais dois anos na empresa antes de assumir o cargo de gerente de desenvolvimento de biotecnologia na DuPont, empresa norte-americana de produtos químicos, polímeros, produtos agrícolas, entre outros.

Ela continuou na área de biotecnologia agrícola, coordenando projetos de pesquisa com cana-de-açúcar. Em 2016, foi convidada para assumir a área de gestão de P&D do Grupo Fleury. “Hoje coordeno uma equipe de mais de 20 pesquisadores que trabalham na área de genômica aplicada no campo da medicina personalizada”, conta.


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