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União Matemática Internacional

Brasil, entre os pesos-pesados da matemática

O Brasil passa a integrar o grupo de elite da matemática mundial. A União Matemática Internacional (IMU) aprovou em janeiro a entrada do país no grupo 5, formado por um número restrito de nações que desenvolvem pesquisa de excelência na área. A mudança atende a uma solicitação feita em 2017 pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) e pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), no Rio de Janeiro, e coloca o Brasil ao lado de outros 10 países que fazem pesquisa de alta qualidade em matemática. “Fizemos um dossiê de pouco mais de 30 páginas destacando as razões para entrarmos no grupo 5”, afirma Marcelo Viana, diretor-geral do Impa. “Mostramos a pesquisa, os eventos, a formação na pós-graduação, a educação básica, as Olimpíadas de matemática e a popularização da disciplina no país.” Criada em 1920, a IMU congrega cerca de 80 países, agrupados em cinco categorias. O Brasil ingressou na IMU em 1954, no grupo 1, e subiu de categoria lentamente. A promoção atual é resultado da maturidade que a produção científica nacional alcançou na área nos últimos tempos. Em 2006, um ano após o país chegar ao grupo 4, os matemáticos brasileiros publicaram 1.043 artigos científicos (1,53% da produção mundial na área). Em uma década, esse número praticamente dobrou e chegou a 2.073 papers, ou 2,35% dos artigos publicados em matemática em 2016.  A entrada do país no grupo de elite da pesquisa em matemática ocorre quase quatro anos após o brasileiro Artur Ávila, pesquisador do Impa e do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França, receber a mais alta honraria na área: a medalha Fields, concedida pela IMU. Apesar do avanço na pesquisa, o ensino da matemática no Brasil deixa a desejar. O país ocupa uma das últimas posições nos rankings internacionais que avaliam o desempenho dos alunos na área.