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Arqueologia

Maior parte do crânio de Luzia é encontrada

Escoramento do prédio do Museu Nacional já permitiu algumas buscas

Material foi mais preservado do que se esperava

Raphael Pizzino

Um fragmento do fêmur e pelo menos 80% do crânio de Luzia, de cerca de 11 mil anos, foram resgatados durante o processo de escoramento das paredes do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, que pegou fogo no dia 2 de setembro passado e destruiu a maior parte das coleções científicas da instituição. A boa notícia foi divulgada hoje pela direção do museu. O crânio de Luzia era guardado no andar térreo do prédio e era protegido por uma caixa de metal.

Originária da região mineira de Lagoa Santa, Luzia é o fóssil humano mais antigo encontrado no Brasil e um dos mais antigos das Américas. É uma das peças mais conhecidas do acervo de 20 milhões de itens que estavam no Palácio de São Cristóvão, a sede da instituição.

Foram apresentados seis pedaços maiores do crânio, além do fragmento do fêmur. Mas ainda há outras partes menores de ossos que estão sendo analisadas e podem ser também de Luzia. “Imaginávamos que a situação fosse pior. Há danos, mas deverá ser possível fazer uma reconstituição razoável do crânio ”, comentou a arqueóloga Claudia Rodrigues-Carvalho, chefe do setor de antropologia biológica do museu. “O fêmur está praticamente do jeito que estava antes do incêndio.”

Raphael PizzinoFragmentos ao lado de réplica do crânio de Luzia e da reconstituição de sua cabeçaRaphael Pizzino

Segundo o paleontólogo Alexander Kellner, diretor do museu, a descoberta de Luzia levou muitos pesquisadores às lágrimas e foi intensamente comemorada. “O mais importante é que o valor científico do crânio está preservado”, disse Kellner. “Normalmente, esperaríamos mais tempo para divulgar algo assim. Mas, por se tratar de Luzia,  decidimos tornar logo pública a descoberta.”

Oficialmente, o trabalho de resgate de peças que eventualmente tenham resistido ao incêndio não começou. Ele só poderá ter início quando todo o prédio tiver sido escorado e coberto, processo que ainda deve levar cinco meses. Mas, à medida que o trabalho de escoramento avança e o acesso a algumas áreas se torna possível e seguro, algumas tentativas de resgate de peças significativas cuja provável localização é conhecida podem ser feitas, de acordo com Kellner. No caso de Luzia, o esforço compensou.