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Conferência

Pesquisa e sociedade

As pesquisas científicas e tecnológicas financiadas com recursos públicos têm trazido benefícios efetivos à sociedade? Que metodologia deve ser usada para avaliar seus impactos sociais e econômicos? Essas questões foram a tônica da conferência Research Assessment and Evaluation, proferida na FAPESP, no dia 25, deste mês, pela doutora Susan Cozzens, professora da Escola de Políticas Públicas do Instituto de Tecnologia da Georgia, Estados Unidos.

Segundo ela, os métodos de avaliação do impacto social e econômico dos projetos de pesquisa científica e tecnológica devem ser específicos para cada uma das diferentes linhas a que se destinam os financiamentos, sejam eles direcionados à pesquisa aplicada, à inovação tecnológica de produtos, à formação de recursos humanos ou a projetos desenvolvidos em parceria entre a universidade e a indústria para aperfeiçoamento de processos.

A metodologia de avaliação deve ser de simples aplicação e ao mesmo tempo bastante sofisticada, para oferecer informações precisas sobre os resultados da pesquisa segundo a relação custo/benefício dos investimentos realizados. Outro requisito importante para o conhecimento do impacto da pesquisa sobre a sociedade diz respeito aos próprios pesquisadores. Se eles estiverem interessados em que um novo conhecimento provoque mudanças em determinados grupos sociais, eles precisam estar envolvidos com esses grupos, certificando-se da eficácia dos canais de comunicação com eles.

Se esses canais existem, há pelo menos um indicador de que a pesquisa tem impacto positivo. A conferência, promovida pela FAPESP, foi também uma oportunidade de fornecer novos subsídios para o projeto Avaliação do Impacto da FAPESP no Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Estado de São Paulo, coordenado pelo doutor Alberto Carvalho da Silva, ex-presidente da Fundação e professor honorário do Instituto de Estudos Avançados da USP.

Segundo o doutor Alberto, a sua pesquisa começou com a identificação de projetos financiados e dos resultados, em termos econômicos, de produtos ou conhecimentos que passaram a ser utilizados na medicina, em políticas públicas e outras áreas. Com base nesse levantamento, o grupo de pesquisadores do projeto definiu parâmetros de avaliação e está discutindo como realizar o estudo do impacto. Para Suzan Cozzens, que também é consultora do projeto da FAPESP, São Paulo é um ótimo laboratório para se desenvolver novos métodos de avaliação do impacto da pesquisa científica sobre a economia e a sociedade.

“O estado tem um nível de economia relativamente fácil de compreender quando comparado a grandes e complexas economias nacionais como a americana, pois tem um número finito de setores da economia para se examinar e uma agência financiadora estadual como a FAPESP. Esta situação é muito diferente da que se vê nos Estados Unidos, onde a pesquisa fundamental é financiada principalmente por duas agências nacionais, a National Institutes of Health (NIH) e a National Science Foundation (NSF)”. A professora, que já foi ligada à NSF, conclui que São Paulo é um dos poucos lugares do mundo com a escala certa para o estudo da conexão entre atividades de pesquisa básica e a economia.

Depois de sua segunda visita à Fundação desde 1997, a doutora Susan Cozzens participou de discussões sobre o projeto do Núcleo de Política e Gestão Tecnológica da USP, desenvolvido em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), e sobre o projeto Políticas Públicas para Inovação Tecnológica na Agricultura do Estado de São Paulo: Métodos para Avaliação de Impactos e Priorização da Pesquisa, do Departamento de Política Científica e Tecnológica da Unicamp, atualmente em análise no âmbito do Programa de Pesquisa em Políticas Públicas da FAPESP.

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