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BIBLIOTECA ELETRÔNICA

Um acervo científico de 841 títulos

Programa disponibiliza revistas a professores, pesquisadores e alunos

01Quando foi criado, em maio do ano passado, o Programa Biblioteca Eletrônica (ProBE) colocava à disposição dos pesquisadores das três universidades estaduais paulistas e das duas universidades federais sediadas no Estado, a de São Paulo e a de São Carlos, mais ao Bireme (Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde), via Internet, um acervo de 606 revistas científicas da editora holandesa Elsevier Science Inc.

Pouco mais de um ano depois, o acervo eletrônico disponível já é de 841 títulos, após incorporar publicações das editoras norte-americanas Academic Press e High Wire Press e torná-las acessíveis a professores e estudantes de graduação e pós-graduação. Mas o mais importante: parte considerável desse acervo científico, o da Elsevier, já começou a ser disponibilizado também aos profissionais de 15 institutos de pesquisa estaduais e federais no Estado, beneficiando 7.578 pesquisadores. Muitos deles, por falta de recursos de suas instituições, não tinham acesso a qualquer publicação científica internacional.

É o caso, por exemplo, dos 159 pesquisadores do Instituto Biológico, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. “Não tínhamos nenhuma assinatura impressa e nem recursos para isso. Para fazer consultas, a maioria dos pesquisadores tinha que se deslocar até a USP”, diz Silvia Helena Marques, bibliotecária do instituto. O mesmo acontecia com os 564 profissionais do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, da Secretaria Estadual da Saúde, que também não possuía assinatura de qualquer um dos títulos da Elsevier. “Quando era necessário, recorríamos ao Bireme”, diz Anna Simene Leite Gonçalves, responsável pela biblioteca. “Hoje, por meio do ProBE, o corpo clínico e os pesquisadores do instituto têm acesso a revistas especializadas em cardiologia, enfermagem e administração hospitalar.”

Consultas simultâneas
O ProBE é resultado de um Consórcio de Cooperação Institucional que reúne a FAPESP, a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciência da Saúde. Por meio de convênios, assinados neste mês de junho, os institutos de pesquisa aderiram ao consórcio.

A Fundação é responsável pela infra-estrutura de hardware e software adequados à instalação e ao funcionamento da biblioteca eletrônica, bem como pela própria base de dados das revistas. Beneficiando os pesquisadores, ao tornar-lhes acessíveis, de forma ágil, informações científicas internacionais necessárias à sua qualificação e atualização profissional, o ProBE beneficia, também, as instituições, que economizam com a redução do número de assinaturas impressas.

“O custo das assinaturas eletrônicas representa 15% das assinaturas em papel”, compara Rosaly Favero Krzyzanowski, coordenadora operacional do programa. Segundo ela, o acesso eletrônico tem a vantagem de permitir consultas simultâneas, o que otimiza a relação custo/benefício por assinatura de periódicos científicos. As instituições consorciadas, por exemplo, mantêm ainda uma média de duas assinaturas dos 606 títulos da Elsevier, a um custo de R$ 2, 6 milhões.

A assinatura eletrônica dos mesmos títulos, sem necessidade de duplicação, sai por R$ 398 mil. O valor é proporcional ao número de usuários, sendo que o controle do número de consultas é feito pelo IP (Internet Protocol Number) de cada usuário das instituições consorciadas. E o contrato com as editoras permite a impressão e reprodução de artigos para fins de pesquisa. As universidades e os institutos de pesquisa deverão manter as assinaturas das revistas impressas por um período de três anos, ao longo dos quais o programa avaliará a satisfação do usuário.

Próximos passos
Racionalizar e agilizar cada vez mais o acesso às informações científicas estão também entre os objetivos do ProBE. Assim, desde junho, os CD-ROMs com todo o conteúdo editorial das três editoras foram instalados na rede ANSP – Academic Network at São Paulo, na sede da FAPESP. O acesso a qualquer uma das publicações, portanto, já dispensa a ligação internacional. E mais: a partir de setembro, todas as 841 publicações das três editoras estarão organizadas num portal, permitindo consultas também por assunto.

O programa prevê, ainda, o desenvolvimento de ferramentas que permitam links com os artigos citados na Web of Science, do Institut for Scientific Information (ISI) – uma base de dados com resumos, referências e citações de artigos publicados em cerca de 8.400 periódicos científicos internacionais, desde 1974. “Estamos estudando também a possibilidade de ampliar o número de editoras, de forma a incluir revistas da área de Ciências Humanas, até agora não contempladas”, acrescenta Rosaly.

Atualmente, cerca de 11.590 professores e pesquisadores e 114.483 alunos de graduação e pós-graduação podem consultar artigos de seu interesse, através da Intranet, a partir dos computadores instalados em seu próprio ambiente de trabalho, nas 86 bibliotecas das instituições consorciadas ou, em alguns casos, da residência do pesquisador.

Novos parceiros
O ProBE é dirigido por um comitê que coordena as atividades de implantação, operação, manutenção, treinamento e avaliação do uso da Biblioteca Eletrônica e delibera sobre as assinatura de revistas e sobre o ingresso de novos parceiros no consórcio. Estão qualificadas para participar do programa as instituições que desenvolvam atividades de ensino e pesquisa, públicas ou privadas, desde que possuam usuários potenciais com projetos de pesquisa em andamento; desenvolvam linhas de pesquisa com produção científica; disponham de recursos humanos capacitados para a operacionalização do acesso ao ProBE; ofereçam títulos que venham a incrementar o Programa; e contribuam com o mínimo de 3% do valor da coleção da Biblioteca Eletrônica. ” Já existem várias universidades interessadas”, afirma Rosaly Krzyzanowski.

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