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Avaliação

Tidia em alta

Programa de Internet avançada vai analisar 123 pré-projetos

Os coordenadores do Programa Tecnologia da Informação no Desenvolvimento da Internet Avançada (Tidia) têm, nos próximos três meses, uma dura tarefa: analisar e consolidar propostas de 123 pré-projetos encaminhados à FAPESP em resposta à chamada de edital lançado em outubro. “Foi uma agradável surpresa”, diz Carlos Antônio Ruggiero, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, em São Carlos, um dos coordenadores do Tidia. “O mais otimista do grupo apostava que o número de pré-projetos não passaria de 80.”

Todos serão analisados, classificados e reunidos em um pequeno número de projetos cooperativos, em torno de temas e objetivos comuns. Os resultados da análise dos projetos serão publicados em fevereiro ou março deste ano. O Tidia tem como objetivo transformar a Internet em objeto de pesquisa. Prevê a criação de uma rede de fibras ópticas com velocidade de 400 gigabits/s, construída em parceria com a iniciativa privada, ligando, inicialmente, São Paulo, Campinas e São Carlos e, posteriormente, outros municípios do Estado de São Paulo.

Essa rede será um campo de testes (test bed) com arquitetura capaz de suportar um laboratório comunitário para multiusuários, onde serão desenvolvidas pesquisas encaminhadas ao programa e implementadas pelas redes acadêmicas. O apoio à pesquisa atende ao segundo objetivo do programa, que é formar especialistas em desenvolvimento de tecnologias para a Internet.

Tecnologia de rede
Os temas de pesquisa propostos nos 123 projetos também surpreenderam pelo equilíbrio em torno de dois temas: aplicações de Internet e tecnologia de rede propriamente dita. “Metade das propostas de trata pesquisas em telemedicina, teleducação, governo virtual, biblioteca virtual, entre outras. Temíamos que só o pessoal de rede atendesse ao edital”, comemora Ruggiero.Uma primeira análise dos projetos revelou também a falta de interação entre o grupo de pesquisadores com propostas de pesquisa sobre a aplicação da Internet e o grupo que pretende investigar a infra-estrutura da rede. “São grupos distintos. Ao integrarmos os projetos no Tidia estaremos forçando o trabalho cooperativo”, afirma. No decorrer da análise dos projetos, a coordenação do programa poderá consultar a comunidade sobre a consolidação dos pré-projetos e, eventualmente, abrir espaço para novas propostas.

Os projetos contarão com recursos da FAPESP de, no mínimo R$ 10 milhões, mas também receberão apoio de empresas privadas, futuras parceiras do programa. “Estamos em contato com fabricantes de equipamento de telecomunicações, concessionárias de telecomunicações, provedores de acesso e alguns órgãos do governo paulista. Todos já demonstraram interesse em participar do programa.” Apesar de os projetos serem de conteúdo aberto, Ruggiero não tem dúvidas de que o Tidia contará com o apoio significativo dos parceiros.

Cada empresa poderá participar em áreas de interesse específico, como acontece nos Estados Unidos, onde a Internet 2 não é só um projeto de rede de alta velocidade, mas também de cooperação com a iniciativa privada. O apoio do governo também é considerado fundamental, quer seja na condição de parceiro, quer seja na condição de agente facilitador, já que o programa necessitará, por exemplo, de autorização para utilizar os dutos de fibra óptica que se estendem ao longo das rodovias paulistas.

O novo programa consolida a participação da FAPESP na história da Internet no Brasil, que começou com a criação da rede ANSP, em 1989. A Fundação também já foi o único e principal link internacional, responsável pelo tráfego acadêmico e, por solitação do Comitê Gestor da Internet, é atualmente responsável pelo registro de domínios no país.

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