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Saúde

Epidemia de cesáreas

O artigo “Parto normal ou cesárea: O que toda mulher deve saber (e todo homem também)” de autoria da pesquisadora Daphne Rattner, do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas, do Ministério da Saúde, reflete sobre os números de partos normais e cesáreas realizadas em todo o mundo. O estudo mostra que a cesariana é a cirurgia de grande porte mais realizada nos Estados Unidos e também a mais freqüente operação feita sem necessidade. “Muitas dessas operações, que apresentam riscos de complicações maternas, inclusive morte, são medicamente desnecessárias”, diz a pesquisadora. “É impensável que a cirurgia cesariana desnecessária seja realizada em milhares de mulheres, esbanjando valiosos milhões de dólares dos serviços de saúde, enquanto quase 40 milhões de americanos não têm acesso aos serviços básicos de saúde.”Se no Hemisfério Norte valores assim elevados de cesarianas são considerados ultraje ao bom exercício da obstetrícia, que podemos dizer do Brasil” A autora do artigo responde: “Infelizmente, a situação brasileira é ainda mais grave: já há algumas décadas essa epidemia contagiou nosso país, e pesquisas mostraram que a prática obstétrica em nossos hospitais não é nada exemplar. No Estado de São Paulo alguns hospitais chegam a praticar taxas de até 100%”, diz. A autora ressalta que apesar das medidas adotadas pelo governo federal e até por alguns seguros-saúde para coibi-las, o número de cesáreas desnecessárias continua a crescer, alertando que outras estratégias se fazem necessárias. “É inquestionável que a indicação de cirurgia é atribuição dos médicos. Mas até que ponto as mulheres não foram involuntariamente cúmplices, por absoluto desconhecimento de como seu corpo funciona ou por terem embarcado na moda de que cesárea é parto ‘tecnologicamente avançado’ .” E para incrementar ainda mais a reflexão, Daphne Rattner indica a leitura de um livro cujo título é o mesmo do artigo, escrito pela bióloga Ana Cristina Duarte e por Simone Grilo Diniz, professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). A obra elucida os mais recentes avanços do conhecimento, esclarece os fundamentos da medicina baseada em evidências científicas e reflete sobre o contexto da atenção ao parto em nosso país. O objetivo é oferecer instrumentos para que as pacientes possam fazer escolhas sobre o que é melhor para si e para poder negociar, com o profissional que a acompanha, como deseja que seja atendido o seu parto, de forma esclarecida e consciente. “As mulheres já podem contar com muita informação, e informação é poder!”, diz Daphne Rattner.

Interface: Comunicação, Saúde, Educação, Vol. 9, Nº 17,  Botucatu MAR/AGO 2005

www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-32832005000200020&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

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