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Desenvolvimento

A arquitetura da água

Cooperação entre Sabesp e FAPESP vai investir em tecnologias para melhorar a qualidade dos serviços de saneamento

Eduardo CesarA FAPESP e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) assinam no dia 12 de maio um termo de cooperação para patrocinar projetos de investigação que envolvam pesquisadores da empresa e das universidades e de institutos de pesquisa paulistas. Está previsto um investimento de até R$ 50 milhões ao longo dos próximos cinco anos, sendo a metade proveniente da Fundação e a outra metade da Sabesp.

Os projetos deverão vincular-se a temas como o aumento da eficiência nos processos de tratamento de água, o monitoramento da qualidade da água, a redução da quantidade de lodo produzido e sua reciclagem, a diminuição do consumo de eletricidade na operação de sistemas de saneamento, o combate à perda de água nas tubulações, além de estudos econômicos sobre o desenvolvimento do setor de saneamento. As chamadas de proposta serão divulgadas por meio de um edital.

A Sabesp investe atualmente R$ 3,5 milhões anuais em pesquisa e desenvolvimento. Com a parceria, ampliará esse montante anual para R$ 5 milhões, que se somarão a outros R$ 5 milhões financiados pela Fundação. “Investir em pesquisa e inovar são essenciais para o futuro da Sabesp”, diz Gesner Oliveira, presidente da companhia. “Hoje o mercado está mais competitivo, há padrões de exigência ambiental mais rigorosos, somos regulados por uma agência externa e temos de enfrentar o desafio de universalizar os serviços. Precisamos ter capacidade de incorporar novas tecnologias”, afirma. Com patrimônio de R$ 4 bilhões e 17 mil empregados, a Sabesp é a principal empresa de saneamento do país. O estado de São Paulo controla a empresa, com 50,3% de seu capital, enquanto os demais 49,7% pertencem à iniciativa privada.

Segundo Oliveira, a empresa precisou se reposicionar num mercado em que, anteriormente, não havia concorrência. Hoje, ao contrário, a Sabesp necessita renegociar contratos com as prefeituras, que podem dispensar seus serviços e optar por outros arranjos, como a criação de autarquias municipais. “Recentemente, renovamos 160 contratos de concessão”, afirma. Com a ampliação dos investimentos em pesquisa, a empresa busca atingir metas como reduzir a perda de água nas tubulações para 13% até 2019 – atualmente a perda gira em torno dos 28%; a reciclagem de lodo e a comercialização de novos produtos, como o gás metano proveniente do lixo e a água de reúso para indústrias. “As articulações que já temos com universidades e centros de pesquisa serão potencializadas com o investimento e o crivo da FAPESP na seleção dos projetos”, diz Oliveira.

Para o diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, o acordo sinaliza uma importante estratégia da empresa pública no estado de São Paulo para ampliar e consolidar suas atividades de pesquisa e desenvolvimento. “Este é um dos maiores acordos de pesquisa cooperativa estabelecidos pela Fundação e esperamos uma resposta muito participativa da comunidade de pesquisa ao edital que será anunciado”, afirmou.

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