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Comunicação eficiente

Matemático adquiriu novas habilidades de difusão científica após participar de torneio internacional

BRUNO DE PIERRO | ED. 246 | AGOSTO 2016

 

Carreiras_Perfil-Jackson_SiteO matemático Jackson Itikawa voltou em julho de uma rápida viagem ao Reino Unido com 26 novos contatos no telefone, todos de pesquisadores de outros países com quem troca ideias sobre divulgação científica. O grupo se conheceu durante a final internacional do FameLab, uma das maiores competições de comunicação científica no mundo, realizada no dia 9 de junho no Festival de Ciência de Cheltenham, na Inglaterra. Competindo com participantes dos Estados Unidos, do Reino Unido e da Coreia do Sul, entre vários outros, Itikawa foi o primeiro brasileiro a representar o país no evento, no qual teve apenas três minutos para falar do tema que escolhera: a importância dos números primos em áreas como a criptografia.

Diante do público e de uma bancada de jurados, Itikawa explicou como os números primos servem para compor a linguagem cifrada que garante a segurança de dados confidenciais expostos virtualmente, como senhas e mensagens enviadas por meio de aplicativos como o WhatsApp. “Embora não tenha ganhado a competição, a experiência ajudou a impulsionar meu entusiasmo pela divulgação científica”, conta o matemático, vencedor da etapa nacional do FameLab, realizada em maio pelo British Council e pela FAPESP (ver Pesquisa FAPESP nº 244).

Atualmente o pesquisador faz pós-doutorado no Instituto de Ciências Matemáticas e Computação da Universidade de São Paulo (ICMC-USP), em São Carlos. Foi lá, no semestre passado, que começou a dar aulas voluntárias para estudantes do curso de graduação em sistemas da informação. “Utilizar uma linguagem mais acessível se tornou um desafio prazeroso.” Aos poucos, o matemático foi se soltando em sala de aula. “Passei a explicar conceitos complexos por meio de analogias e usando o bom humor.” Na época, Itikawa recebeu um e-mail da FAPESP convidando seus bolsistas a participarem da edição brasileira do FameLab. “Decidi me inscrever porque aquela poderia ser uma oportunidade de mostrar que a matemática pode ser interessante e divertida, diminuindo o medo que muitas pessoas sentem da disciplina.”

De acordo com Itikawa, a experiência o ajudou a desenvolver novas habilidades em comunicação científica, entre elas falar em público com desenvoltura e fazer apresentações mais concisas. “No Famelab o tempo é curto para se apresentar. Isso exige que o pesquisador escolha bem as palavras e as utilize de forma precisa”, afirma. Algumas recomendações foram passadas por Malcolm Love, especialista britânico responsável pelos treinamentos em comunicação do FameLab em diversos países. “Um dos exercícios que ele passou foi encarar o público com confiança. Foi importante para mim, porque sempre tive dificuldade de olhar nos olhos das pessoas”, relata Itikawa, para quem as recomendações serão úteis não apenas para comunicar a ciência para o público, mas também em congressos.


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