Paleontologia

Dois pré-mamíferos gaúchos

Reconstituição artística e parte da mandíbula do cinodonte Bonacynodon schultzi: comedor de insetos viveu há mais de 230 milhões de anos

Imagem: Jorge Blanco | Plos ONE Reconstituição artística e parte da mandíbula do cinodonte Bonacynodon schultzi: comedor de insetos viveu há mais de 230 milhões de anosImagem: Jorge Blanco | Plos ONE

Duas novas espécies de cinodonte, vasto grupo de animais que inclui os ancestrais dos mamíferos, encontradas em solo gaúcho, foram descritas na literatura científica (Plos One, 5 de outubro). Ambas representam pequenas formas de cinodonte, com comprimento entre 15 e 30 centímetros, cuja aparência lembra ratos ou esquilos selvagens. As espécies foram batizadas por paleontólogos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, campus Porto Alegre, que analisaram fósseis recuperados em rochas do período Triássico Médio Superior, formadas entre 237 e 235 milhões de anos atrás. Dois crânios e mandíbulas achados em 1946 no município de Candelária (RS), mas só agora estudados, serviram de base para descrever o Bonacynodon schultzi. O nome do gênero, também novo, é uma homenagem ao paleontólogo argentino José Bonaparte e o da espécie, ao colega paleontólogo da UFRGS César Schultz. A outra nova espécie, Santacruzgnathus abdalai, foi descrita a partir de uma mandíbula com dentes encontrada no município de Santa Cruz do Sul e sua designação é uma referência ao também paleontólogo argentino Fernando Abdala, especialista em cinodontes sul-americanos e africanos. “Os novos fósseis ajudam a compreender mais detalhadamente a evolução das formas pré-mamíferas que deram origem ao grupo dos mamíferos”, explica Agustín Martinelli, doutorando da UFRGS e principal autor do estudo.