EDITORIAL

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Um novo início em 2017

ALEXANDRA OZORIO DE ALMEIDA - DIRETORA DE REDAÇÃO | ED. 251 | JANEIRO 2017

 

A reportagem de capa desta edição foi pensada para janeiro: afinal, uma cerveja muito fria combina com o calor do verão. Mas os tempos mudaram. Verão já não parece mais verão (este editorial foi escrito em uma frente fria atípica em dezembro, que derrubou a temperatura na capital paulista) e cerveja não precisa mais ser estupidamente gelada. O gosto por cervejas de maior qualidade – que dispensam um resfriamento intenso – disseminou-se no Brasil, que tem hoje mais de 400 microcervejarias artesanais, beneficiárias de uma significativa atividade nacional de pesquisa e desenvolvimento.

Ao mapear a ciência e a tecnologia brasileiras por trás dos ingredientes centrais e da produção dessa bebida milenar, o repórter Yuri Vasconcelos mostra que cevada e lúpulo não se adaptaram com facilidade ao clima local, sendo necessária muita pesquisa – e, no caso do lúpulo, uma ajuda do acaso – para que fossem cultivados. Hoje, quase metade da cevada usada pela indústria é nacional, resultado de 40 anos de pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa. Outros estudos tratam de etapas do processo de produção, como o envelhecimento da bebida em barris, a busca de novas leveduras – para a transformação dos açúcares em álcool – e estudos sobre a estrutura da espuma, que tem papel importante na manutenção da estabilidade da bebida.

Uma das entrevistas do mês é a da antropóloga Lux Vidal, pioneira da etnologia no Brasil e formadora de gerações de antropólogos. Durante conversas com a editora Maria Guimarães, ela falou sobre o processo de criação coletiva de uma etnologia brasileira, emancipada das escolas norte-americana e britânica, que contempla o envolvimento ativo dos pesquisadores nas questões indígenas, como demarcação de terra e indenização por danos acidentais. Entre os anos 1970 e 1990, Lux estudou os Xikrin, do sul do Pará, que tentavam se reestabelecer nas suas terras, cercadas por atividades de mineração. Com uma formação que privilegiava as artes, a antropóloga voltou seu olhar para a etnoestética dos povos indígenas, estudando e registrando as diferentes formas de pintura corporal, muito central entre os Xikrin.

Esta edição especial de férias traz ainda outras reportagens especiais: os bastidores de uma escavação arqueológica; a história da recuperação em cativeiro do mutum-de-alagoas, ave dada como extinta, com a ajuda da genética; e um relato de um ano de cobertura jornalística sobre a zika. A seção Carreiras recupera a trajetória de alguns dos quase 200 pesquisadores envolvidos no sequenciamento genético da Xylella fastidiosa, que completa 20 anos.

A revista Pesquisa FAPESP começa 2017 concluindo algumas mudanças nas suas páginas iniciais. Duas seções de notas – Estratégias e Tecnociência – serão reunidas em uma só, denominada Notas, que passará a incluir notícias da área de Humanidades. A nova seção trará notícias selecionadas, entrevistas curtas, dados e imagens. Há duas edições, a página de Boas Práticas tem ocupado três páginas. A ideia é que a seção, muito lida e comentada, passe a ter um tamanho variável. A seção On-line foi desmembrada: os destaques de vídeo e podcasts são agora apresentados no Índice, que se tornou o menu do que a Pesquisa FAPESP tem a oferecer no mês, seja na revista impressa, seja no site; o destaque “A mais vista do mês no Facebook” foi para a seção Cartas. Sempre vale lembrar que todo o conteúdo da revista impressa está disponível gratuitamente em www.revistapesquisa.fapesp.br, em português, inglês e espanhol, assim como os vídeos produzidos quinzenalmente, os programas semanais de rádio e também reportagens e notas encontradas apenas no site.


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