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Ossos partidos de mastodonte sugerem presença de hominídeos na Califórnia há 130 mil anos

ED. 255 | MAIO 2017

 

Marcas e fraturas em osso fossilizado de mastodonte sugerem que ele foi partido de forma proposital por hominídeos

Há 130 mil anos havia hominídeos quebrando ossos de mastodonte para extrair tutano ou fabricar ferramentas e outros objetos na região onde hoje é San Diego, no sul da Califórnia, na fronteira com o México. A afirmação, altamente controversa, baseia-se em conclusões de um estudo liderado por pesquisadores do Centro para Pesquisa Paleolítica Americana, nos Estados Unidos (Nature, 27 de abril). O grupo analisou um conjunto de ossos do animal extinto encontrados em 1992 em uma obra de estrada. Surpreendentemente, junto do material havia pedras do tipo usado por humanos pré-históricos para quebrar objetos duros. As marcas e as características das fraturas presentes nos ossos grandes do animal, como o fêmur, indicam que eles foram partidos de forma proposital, ainda frescos, enquanto costelas e vértebras, mais delicadas, permaneceram intactas. De acordo com os pesquisadores, o bom estado de preservação dos ossos menores e o fato de o material estar concentrado em um mesmo lugar descartam a possibilidade de o movimento das águas de um antigo rio que passava por ali ter sido o responsável por esse padrão de disposição dos fósseis. Os únicos candidatos para a ação de quebra dos ossos maiores seriam hominídeos indeterminados, visto que não haveria carnívoros fortes o suficiente para romper o imenso fêmur de um paquiderme. Os pesquisadores fizeram experimentos na Tanzânia usando pedras similares às do sítio arqueológico californiano para quebrar ossos de elefante e observaram marcas e fraturas semelhantes. A grande surpresa do estudo foi obter para o esqueleto de mastodonte uma idade de mais de 100 mil anos anterior ao mais antigo registro de humanos, da espécie Homo sapiens, nas Américas. A difícil datação veio de análises que medem os níveis relativos dos elementos urânio e tório nos ossos. O achado causou rebuliço entre arqueólogos e bioantropólogos, pois sugere uma revisão completa de quando os hominídeos chegaram à América. Enquanto não forem encontrados vestígios mais convincentes desses seres humanos antigos, muitos pesquisadores permanecerão descrentes.


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