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Em busca do novo

Projetos buscam identificar novas propriedades em culturas já conhecidas

BRUNO DE PIERRO | IAC 130 anos | SETEMBRO 2017

 

Futuro promissor: óleo da macaúba é testado no Centro de Recursos Genéticos Vegetais

O sucesso de cultivares desenvolvidas no Instituto Agronômico de Campinas (IAC) ocorreu em grande parte pelas pesquisas no campo do melhoramento genético. O objetivo é, cruzando diferentes variedades, lançar  cultivares mais resistentes a doenças, com maior produtividade e boas características nutricionais. Foi esse conjunto de técnicas que possibilitou não apenas a geração de novas cultivares de cafeeiro, soja, milho, feijoeiro, cana-de-açúcar, frutas, hortaliças, entre muitos outros, mas também a domesticação de espécies promissoras para a agricultura no país. “Uma das missões do instituto é agregar valor a recursos genéticos pouco explorados ou até mesmo desconhecidos”, diz o engenheiro-agrônomo Carlos Colombo, diretor do Centro de Recursos Genéticos Vegetais do IAC.

Colombo coordena um projeto que procura identificar e explorar a variabilidade genética da macaúba, palmeira presente em quase todo o Brasil. O óleo extraído do fruto dessa planta pode ter diversas aplicações, especialmente na indústria alimentícia e de cosméticos e na produção de biodiesel.“Tenho viajado pelo país atrás de plantas de macaúba mais produtivas e de baixo porte. O objetivo é encontrar plantas superiores, avaliar suas progênies ou gerar variabilidade por meio de cruzamentos entre plantas com características agronômicas complementares, para se chegar a cultivares próprias para o plantio”, explica Colombo.

De acordo com o pesquisador, os agricultores geralmente resistem à ideia de investir em uma nova cultura, ainda pouco explorada comercialmente. “O setor privado não costuma investir naquilo que é desconhecido. Por ser uma instituição pública, o IAC pode desbravar novas cultivares, explorar seu potencial e apresentar dados científicos que possam convencer a indústria.” Outro exemplo de planta com potencial, a Lippia alba, planta típica da América Latina e Central, já está começando a conquistar novos horizontes graças aos esforços de pesquisa no IAC. Chamada popularmente de falsa erva-cidreira, ou falsa-melissa, a Lippia alba é tradicionalmente consumida como chá, atuando como calmante e anti-inflamatório naturais.

Em 2003, o melhorista Walter José Siqueira começou a estudar a biologia da Lippia alba, com o objetivo de explorar seu potencial aromático. O trabalho iniciou com a coleta de diversas amostras, o que levou à consolidação, a partir do melhoramento genético, de um banco com 90 variedades de Lippia alba com aspectos morfológicos diferentes uns dos outros. A partir dessa coleção, Siqueira identificou compostos da planta que despertam o interesse das indústrias farmacêutica e alimentícia. “Em parceria com a empresa Beraca, em Belém, no Pará, temos obtido sucesso no plantio de L. alba na região e em breve começaremos a extração do óleo da planta”, informa Siqueira.

A tarefa de buscar na natureza as melhores variedades de determinada espécie faz parte do cotidiano do biólogo Luís Carlos Bernacci, pesquisador do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento do Jardim Botânico do IAC. Bernacci dedica-se a identificar espécies de maracujá e indicar diferenças entre elas. “O trabalho de bioprospecção ajuda a reconhecer elementos para a distinção das cultivares de maracujá e a identificar as características mais apropriadas para o comércio, como a coloração da casca”, diz Bernacci, ao explicar que o IAC foi responsável pela padronização do cultivo de maracujá azedo no Brasil, em meados da década de 1990.


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